sábado, 28 de abril de 2012

Teólogos da corte

Eles vão nos engolir no café da manhã; simples assim. Têm comando, unidade, poder político e financeiro e, agora, uma voz profética. Enquanto isso, continuamos discutindo entre nós e com todos os outros.

Por: padre Paulo Ricardo de Azevedo




Quando foi que a Igreja Católica deixou de ser, no Brasil, a instância profética que questiona? Em que momento ela foi seduzida e tornou-se uma Igreja composta por teólogos da corte - aqueles que compõem o séquito do novo Príncipe, o Partido dos Trabalhadores? Quando foi que ela deixou de ser defender a fé católica e passou a aceitar e a justificar as atitudes do Príncipe? Para onde foi a Igreja Católica do Brasil?


O católico verdadeiro não pode apoiar um governo que não tem ética cristã, que não tem o pudor de promover todo tipo de imoralidade que visa destruir a família, a moral cristã e a herança patrimonial cristã sobre a qual foi construída a nação brasileira. Os teólogos da corte que não temem mais o juízo de Deus, pois deixaram de crer há muito tempo, mas devem temer o julgamento da História, esta sim, irá julgá-las com severidade e, quiçá, condená-los. Afinal, eles buscam retirar do mundo a transcendência.


O único sentimento que o silêncio vil e a covardia produzem nos verdadeiros católicos é a vergonha. Vergonha desses teólogos da corte!

Fonte: 48 - Parresía: Teólogos da corte

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Integridade: cristã?


Diante das enormes colheronas ousei também meter minha pequena colherinha no assunto: Integridade cristã. Mas, afinal, de qual integridade está se falando?

Quando se fala em integridade cristã, é de menor importância saber como Saul, David ou qualquer outro personagem bíblico perdeu sua. David sabia muito bem como Saul a perdeu, mesmo assim também pecou. (Um pecado muito mais grave que o de Saul). Salomão também conhecia bem a perda de integridade de seu pai, mesmo assim a perdeu em determinado momento. Logo, importa muito mais é saber: como Cristo manteve a sua integridade? Nestes termos o que eu “quero” ver é a integridade aos moldes de Cristo. (quero=desejo ardente, volição, sede, anseio).

Quero uma integridade que faça justiça ou então não é integridade, não cristã. “Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça” (Mateus 5,6). Quero a justiça para com o “estrangeiro”; para com aquele que pensa diferente, crê diferente, vive e age diferente. Porque, se amarmos os nossos amigos que diferença há entre nós e o mais cruel dos homens? Acaso não ama, ele, seus amigos e parentes? Por isso, pergunto: faz justiça quem julga o outro sem o conhecer? Acaso elegeu, ele, a outrem em sua defesa? Fez de alguém a sua boca? Então, como julgas quem não conheces?

Quero a justiça do ouvir o outro e não somente “escutar educadamente”. Ouvir com o coração, no coração (misericórdia). Ouvir com sensibilidade, sentindo a dor do outro e sem a crueza do silêncio mascarado de “educação”. O silêncio dos “piedosos” e falsos eruditos que encontram nele, no silêncio, um modo de não se envolverem, de se esquivarem e se esconderem. O silêncio da indiferença. Ah indiferença, a pior das desumanidades! Passam ao largo do caído e não estendem a mão porque nela, fazem do que clama um leproso imundo ou, como fizeram ao cego de Jericó, um mendigo.

Quero a Justiça do mais forte para o mais fraco. Porque só quem pode garantir a justiça (enquanto equilíbrio) é quem tem o poder como aliado. É preciso perder (perdoar) para ganhar mesmo porque, justiça mesmo só Deus pode fazer. É preciso enfrentar o camelo e saltar o mosquito. Se não, será como o homem que sendo perdoado no muito foi um algoz no pouco para com seu devedor.

Quero a integridade da transparência. Transparência nas informações expostas, nas reuniões às portas abertas e nos assuntos importantes sem os joguetes políticos. De que adianta citá-los ou mesmo instá-los como falta de integridade, se só vale para o outro? Precisa valer para mim e em mim, antes de tudo. Transparência à luz do dia e na presença de muitas testemunhas.

Quero a integridade da palavra franca e aberta. Do sim, sim ou não, não. Sem mentiras, sem as meias palavras ou as falácias. Sem a mais vil das falácias: a meia verdade, mãe de todas as mentiras (Gênesis 3,5). A franqueza, contudo, das palavras temperadas com sal, mas ditas sempre. Não o silêncio covarde.

Quero, por fim, a integridade da verdade. Sem autoridades ou autoritarismos entronizados nos palácios do poder. A verdade com a simplicidade e a pureza de uma criança. A verdade que liberta o homem, antes de tudo, de si mesmo. A verdade sem arrogância e sem a mais dissimulada das vaidades: a vaidade de ser humilde. Nesta esconde-se de tudo, até a verdade. Mas nunca para si mesmo. “Não há dolo no líder que pede perdão”. Verdade! Mas quem é àquele a admitir o seu erro? Saul não o fez, Davi sim. Não é bem diferente? O Mestre não disse aos que tentavam justificar-se: não é verdade. O que ele disse foi: “Em verdade vos digo que vos não conheço”. (Mateus 25,12)

Portanto, integridade é mais que saber. É fazer, é viver, é ser.  O quê? Justo e simples como Jesus, o Cristo, fez, viveu e foi. É isso que eu entendo como integridade cristã.

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