quinta-feira, 25 de novembro de 2010

O choro de uma noite

Lembro-me bem do dia da minha conversão. Deus desejava me alcançar e neste processo começou muitos anos antes a fazê-lo: desde os tempos da igreja católica. Foi Ele quem me disse NÃO de forma inconfundível quando eu quis entrar para o seminário para ser padre. Confesso que não entendi a resposta do Senhor. Como Ele poderia dizer não ao meu coração sincero e ingênuo? Como dizer não a alguém casto que decidiu tornar-se eunuco por amor a Cristo? Definitivamente Deus me decepcionava.
Mas os anos passaram (eles sempre passam) e, hoje, tenho família, filhos e uma vida com Deus. Hoje, estou no seminário, mas não para ser padre ou casto por amor a Cristo. Hoje, olho para traz e percebo que Deus tinha um outro plano o qual eu não entendia.

Atualmente é muito comum confundirmos a soberania de Deus com a permissividade de Deus. Sim, Deus permite muitas coisas, entre as quais o pecado. Mas isso não significa que essa seja a Sua vontade. É neste contexto que trago perguntas para este tempo de dor e lágrimas.
Se hoje eu fosse convocado à presença do Senhor, que respostas eu lhe daria? E se Ele me perguntasse: por quê?

Por que você se calou diante da iniquidade? O que eu Lhe diria? Como me justificaria?

Não falo da iniquidade do mundo, mas da nossa. Aquela que estamos presenciando e, de certo modo, participando com as nossas vontades ou com as nossas omissões. O que direi eu ao Senhor quando Ele me perguntar?

Partimos, repartimos, dilapidamos àquilo que o Senhor nos confiou como se essa fosse a vontade Dele. Será mesmo? Será que Deus utiliza os mesmos métodos que os homens? Será que para Ele os fins justificam os meios? Cada um dará conta de si, por isso a pergunta me incomoda tanto. Como Lhe darei conta da minha omissão?

Não, a iniquidade não está somente no mundo está dentro de mim, dentro de nós. Nos tornamos como o religioso que vê o irmão da sua congregação a beira do caminho e muda de direção (Lucas 10.31). E é isso que me incomoda. O que fiz para que isso não acontecesse? Orei, mas o Senhor não me respondeu. E, novamente, eu choro como naquela noite.

Choro por aquilo que o Senhor há de requerer da minha mão (das nossas mãos). Choro porque não consigo sentir paz ao ver o sacrifício de tantos irmãos do passado ser esquecido. Parece-nos tão fácil conjugar o verbo vender! O que nos restará para vender em breve? Talvez nossas almas.

Choro porque percebo que a minha omissão, justificada como passividade, permitiu que essas coisas acontecessem. Acontecessem outra vez, não uma nem duas vezes, mas várias.

Choro porque sei que não tenho nenhuma garantia que o dinheiro da venda se reverterá em benefício para nós, assim como não aconteceu das outras vezes, não uma nem duas vezes, mas várias.

Eu choro!

Um choro de lamento, de injúria, de dor.

Choro com Deus e pergunto-Lhe, por quê? Será que minha oração é errada? Por que, então, não sinto paz? Será que minha oração é egoísta? Então, por que Ele não me corrige? Será que me falta fé? Então, por que tem me forjado?

Choro, sim, choro e peço ao Senhor que eu esteja totalmente errado. Que assim como da primeira vez haja algo muito melhor lá na frente. Que no final do túnel haja uma luz brilhante sob a qual todos os nossos pecados sejam revelados e que neste lugar não se encontre os pecados que agora vejo.

Sim, eu choro ainda mais porque se, de fato, a iniquidade já nos dominou o choro durará mais de uma noite apenas. Também não seria esta a primeira vez na história que o povo que se chama pelo Seu nome se desvia dos Seus caminhos.

Que nunca venha sobre nós a mesma palavra trazida por Ezequiel contra Jerusalém: “...acaso é pequena a tua prostituição?” (Ezequiel 16.20c)

Quão fraco é o teu coração, diz o Senhor DEUS, fazendo tu todas estas coisas, obras de uma meretriz imperiosa! Edificando tu a tua abóbada ao canto de cada caminho, e fazendo o teu lugar alto em cada rua! Nem foste como a meretriz, pois desprezaste a paga; Foste como a mulher adúltera que, em lugar de seu marido, recebe os estranhos. A todas as meretrizes dão paga, mas tu dás os teus presentes a todos os teus amantes; e lhes dás presentes, para que venham a ti de todas as partes, pelas tuas prostituições. Assim que contigo sucede o contrário das outras mulheres nas tuas prostituições, pois ninguém te procura para prostituição; porque, dando tu a paga, e a ti não sendo dada a paga, fazes o contrário. Portanto, ó meretriz, ouve a palavra do SENHOR.” (Ezequiel 16.30-35).

Com temor e tremor peço ao Senhor que eu esteja totalmente e redondamente equivocado, para que meu choro dure apenas uma noite e a alegria venha pela manhã.

sábado, 6 de novembro de 2010

Nossa Granja da Igualdade

Uma paráfrase do conto de George OrwellNuma fazenda os porcos, olhando através da janela, perceberam que os fazendeiros gozavam de conforto as custas do trabalho, do sacrifício e da vida dos animais. Os porcos chamaram a atenção dos demais bichos e considerando a injusta situação deles, propuseram uma greve para o dia seguinte (continua ...)

Líderes deveriam ser capazes de pensar com autonomia e não confiar unicamente em seus representantes. O líder precisa ser capaz de discernir com clareza, ser comprometido com o objetivo e ainda que deva delegar tarefas, antes de tudo, precisa saber que a responsabilidade é sua!

Curiosamente, nós brasileiros temos, em nossa cultura, o hábito de aderimos como esponjas os modelos de outros países, que sequer falam nossa língua.  No entanto, nos esforçamos amargamente para falar a deles.  Isso não é por acaso.  Se por um lado estes países têm demonstrado suas competências, por outro temos que observar o quanto isso lhes custou.

Também não é por acaso que nós brasileiros não temos heróis, nem mesmo nos quadrinhos, a não ser uns poucos caricatos de historietas menos importantes. Nossa idéia está na eterna esperança de que alguém venha nos resgatar, que nos venha nos fazer justiça. Até mesmo nas igrejas é esse o nosso pensamento. 

Como futuros líderes deveríamos, antes de tudo, ser capazes de perceber, discernir e escolher. Perceber o que realmente acontece; discernir entre o que é bom e o que não é; para então, escolher o melhor caminho.

No dia seguinte os fazendeiros não entenderam por que não haviam ovos, nem por que animais não trabalhavam.  Então decidiram tentar saber o motivo do motim com os próprios animais da fazenda....

Para isso, o líder cristão precisa pagar o preço de sua liderança.  Receberá sobre si o ônus e o bônus dos resultados. O líder precisa ser antes de tudo comprometido com os objetivos e não pode, em hipótese nenhuma, abrir mão deles ou pior, não saber para onde vai. Se olhamos para O alvo não nos perdemos, mas temos olhado para a flecha e por isso temos errado. Se percebermos as verdadeiras razões do que se move a nossa volta saberemos facilmente para onde estão indo e quais as suas verdadeiras intenções.

Com “justiça” os porcos foram eleitos os porta-vozes dos bichos para negociar melhores condições de vida. Tinham uma carta de intenções que fora escrita com os animais anteriormente. O item 7 dizia: Todos os animais são iguais.....
Certamente o líder precisa saber delegar, delegar tarefas e não a liderança. A não ser no caso de estar preparando um substituto.  O líder precisa ter como pré-condição a capacidade de ser liderado enquanto está em fase de treinamento.  Precisa saber trabalhar em equipe, mas também precisa assumir o risco de não fazê-lo quando necessário. 

O líder, mesmo em treinamento, precisa discernir quando deve ser conduzido por Moisés e quando assumir o risco de ser Josué.  Mesmo que tenha que se voltar contra a maioria, “democraticamente” falando.  Não confundir insubordinação com atitude, nem submissão com subserviência, ou pior, com omissão, indolência, preguiça, conformismo etc. Não podemos delegar a outros a responsabilidade que é nossa!

Após serem atendidas algumas reinvidicações, os porcos foram eleitos representantes dos bichos para receberem os benefícios. Mas, aos poucos, as coisas foram se moldando....

A questão da liderança salta aos olhos porque temos confundido alguns desses preceitos, inclusive bíblicos, e temos delegado (ou relegado) a outros aquilo que o Senhor nos confiou para fazermos. Porque Ele nos chamou de forma especial para lideramos com discernimento, compromisso e responsabilidade.

O item 7 foi o último a ser “corrigido”: “Todos os animais são iguais, mas alguns são mais iguais que os outros”. No final, olhando através da janela, os animais felizes viam os porcos sentados à mesa com os fazendeiros.  já não se podia discernir quem eram os homens e quem eram os porcos.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

No limiar do conhecimento

Quando tiveres desvendado todos os mistérios da vida ansiarás pela morte, pois ela não é senão outro mistério da vida.” Esta conhecida frase Gibran Khalil Gibran presente em seu livro Areia e Espuma nos trás algumas reflexões.

Começo, propositalmente, este texto pela conclusão para que você possa desistir de lê-lo logo no seu início. Se, contudo, desejar continuar já sabe como irá terminar.

Com afinco tenho me dedicado às aulas das quais fazem parte as de cunho filosófico. O interesse é grande visto que tais matérias auxiliam no entendimento de como o mundo pensa.

Não poucas vezes me deparo com o um filósofo ou pensador importante e influente em seu tempo que, não por acaso, ainda influencia os pensamentos do nosso tempo.

O problema reside justamente neste afinco em compreender alguns destes pensadores. O que tenho percebido é que dificilmente algum deles consegue levar às últimas consequências seus ideais filosóficos.

Digo mais claramente: Se nos aproximarmos destes homens totalmente libertos de quaisquer preconceitos e dispostos a levarmos a cabo seus planos para a humanidade, certamente estaremos em rota de colisão com a tragédia da vida humana.

A esta altura muitos estão a escarnecer deste texto, mas que tal poderá-lo sob duas perspectivas muito simples e diretas, bem ao estilo filosófico?

A primeira diz respeito as sucessões de filosofias. Ora, fica claro que um filósofo após o outro modifica, aperfeiçoa ou nega seu antecessor. Isso evidencia que, apesar de todo conhecimento de um, outro virá para modificá-lo. Logo, este conhecimento ainda não está “perfeito”. – Não tratamos com ingenuidades históricas e contextuais que se aplicam a estes casos numa análise hermenêutica séria. – O que se evidencia á a dinâmica própria de cada sociedade, de cada civilização. Portanto, é precipitado pensar que temos, hoje, o conhecimento mais acurado, mais completo ou mais “atual”.

A segunda proposta é metafórica. Imagine que você e sua família sejam os últimos remanescentes da espécie humana e têm, agora, a oportunidade de começar tudo absolutamente do zero. É quem você vai estabelecer a linguagem, as leis, o saber, as crenças etc. Tudo dependerá somente de você. Só você detém todo o conhecimento acumulado da história como a temos hoje. Pergunto: Como você faria para construir um “mundo perfeito”? Ou seja, qual seria a filosofia eficiente e eficaz capaz de construir uma sociedade perfeita e harmônica. Lembre-se que ninguém mais tem memória passada. Então, já pensou em um ou mais nomes de pensadores capazes de reconstruir tal sociedade? Pergunto novamente: Qual filosofia levada as suas últimas consequências daria cabo desta façanha?

Bem, a esta altura sugiro que você escreva os nomes e os pensamentos destes tais e faça um teste para verificar se realmente daria certo. Sugiro um título para essa gênesis hipotética. Que tal chamar de; o mundo perfeito segundo ... e complete com o nome que quiser.

Admito, tenho feito esse exercício durante as aulas. A cada contato com um novo pensador sua "nova" filosofia, eu descubro que também esta não dá conta de construir um “mundo perfeito”. Ela logo passa ser somente mais uma filosofia que levaria o mundo a sua autodestruição (neste nosso exercício).

Ao que parece, o conhecimento é um processo acumulativo do saber do ontem, no hoje para o amanhã. E o mais importante deste conhecimento não está na sua teoria de “ideal”, mas na aplicação para a vida. Na vida das pessoas, no equilíbrio que todo ser humano deve ter. Equilíbrio até mesmo do "o que" e "o quanto" conhecer. Parece-me que o conhecimento pelo conhecimento desconectado da vida, é algo vão e sem sentido e está fadado a levar o homem a loucura da “não-vida”.

Por isso comecei pela frase do Gibran. A meu ver ela faz todo sentido.

No limiar do conhecimento está a vida. Mas tudo é uma questão de escolha.

domingo, 10 de outubro de 2010

Duas cocas ou 4 milhões?

Você chega ao restaurante e pede ao garçom: Duas cocas por favor! E ele responde: Duas cocas ou 4 milhões? Se isso parece absurdo te convido a leitura atenta do texto cujo título original é:

Seminário do sul: Não quero pagar a conta

A dívida do Seminário do Sul vem crescendo nos últimos anos. Segundo informações de março de 2010 ela está em mais de R$ 4.000.000,00 (quatro milhões de reias). Isso significa mais de 90.000,00 (noventa mil reias) de juros ao mês. Alguém quer pagar esta conta? Eu não quero e creio que você também não.

Existem, porém, algumas perguntas que precisam de respostas urgentes. A primeira é: Você não quer pagar a conta ou não quer continuar pagando? O que eu não quero é continuar pagando.

Será que alguém imagina que o banco vai perdoar a nossa dívida? Será que ela vai cair no esquecimento? Será que DEUS vai mandar o dinheiro do céu, ainda que tenha poder para fazê-lo? Será que a dívida vai, simplesmente, desaparecer?

Olhemos para a JUERP e será fácil perceber o que vai acontecer. Essa dívida será negociada e será paga, sim, centavo por centavo durante longos anos. E de onde virá o dinheiro? Dos dízimos e das ofertas que com fidelidade eu e você devolvemos ao Senhor.

Será Ele, por intermédio da nossa fidelidade, que não permitirá que sejamos escarnecidos nem que o Seu nome seja envergonhado. Portanto será com o dinheiro d’Eele que dívida vai ser paga.

O problema, então, é muito mais sério. Porque se o dinheiro é do Senhor, Ele há de nos pedir conta da nossa mordomia. Como temos administrado os recursos que Ele mesmo nos dá? Recursos que voluntariosamente e com fé a Ele devolvemos. Temos sido bons mordomos do Senhor? Ou temos enterrado os talentos que Ele nos deu? Ou, pior, não estamos desperdiçando os Seus bens?

Por outro lado, qual tem sido a nossa visão do Reino de Deus? Por que pagar juros aos bancos enquanto se temos missionários precisando de ajuda nos campos? O valor pago aos bancos, somente com juros, NÃO vai para a janela 10 x 40; NÃO sustenta nenhum novo obreiro na Coreia ou na China; NÃO compra bíblias; NÃO amplia o trabalho missionário; NÃO compra nem um folhetinho sequer; NÃO leva o evangelho do Reino para o banqueiro; e o pior de tudo, estes juros NÃO DIMINUEM a atual dívida: são somente juros que vão crescendo a cada dia. Perceba, enquanto você lê este artigo, nós, batistas, passamos a dever aos bancos mais 3.000,00 (três mil reias) de juros. Isso hoje. Amanhã serão mais 3.000,00 caso você lembre, caso você se esqueça do que leu hoje. Mas mesmo que eu ou você nos esqueçamos da dívida os bancos não vão esquecer e certamente irão cobrá-la de nós.

Mas o que fazer diante disso?

Para alguns a solução é vender parte da propriedade e pagar a dívida o quanto antes. Mas será mesmo esta a melhor solução? Os que apoiam esta ideia o fazem porque, com a venda, não será necessário tirar dinheiro de lugar nenhum para pagar a dívida. Ora, se o pagamento da dívida vem da venda da propriedade, então, não oneraria ninguém, correto?

Neste caso, surgem novas perguntas que precisam ser respondidas. A propriedade é patrimônio nosso, dos batistas brasileiros, adquirida pela graça do Senhor para que nós, seu filhos, as administremos com sobriedade e seriedade. Uma propriedade que nos foi confiada por outros que vieram antes de nós e a nós a entregaram. Um lugar marcante e marcado na vida de tantos vocacionados de nossa denominação. Um lugar chamado “Betel”, porque verdadeiramente “o SENHOR está neste lugar; e eu não o sabia.” (Gn 28.16b) Vender; será que é isso que Deus quer?

Entretanto, existe uma questão lógica a ser respondida. Com a suposta venda de parte da propriedade pelos esperados 12.000.000,00 (doze milhões de reais) os juros vão parar de crescer? Quando venderemos? A dívida projetada para o fim deste ano aponta para 5.000.000,00 (cinco milhões de reais). Significa dizer que dos 12 milhões receberemos apenas 7 milhões. Ou seja, se vendermos até o fim do ano de 2010, pelos 12 milhões a vista, ficaremos somente com 7 milhões. Se não, quando venderemos? Por quanto venderemos? E quanto vai ficar com nós outros, os batistas? E quanto vai ficar com os bancos?

Que outra solução podemos adotar?

Sinceramente eu não sei, mas tenho uma sugestão: Parar de beber coca-cola! Não, não se trata de dieta ou campanha contra a empresa. Trata-se de trocar a dívida por duas latas de refrigerante. Somos cerca de 1.500.000 (um milhão e meio) de batistas no Brasil. Se cada um colocar no seu coração o propósito de não pagar mais nenhum centavo aos bancos, assim será. Dois refrigerantes de cada batista brasileiro pagam dívida toda de uma só vez. Ou seja, dois refrigerantes (quatro reias) de cada batista brasileiro acabariam com a dívida num único ano, num único mês, num único dia. Quatro reais no ano é muito pouco para ficamos com a corda no pescoço. No próximo almoço de domingo, aquele em família após o culto, depois de agradecer ao Senhor por todas as bênçãos e, após agradecer pelo alimento que Ele nos dá, olhe para sua mesa. Talvez você, assim como eu, veja uma deliciosa garrafa de refrigerante bem geladinha. Pois se ela não estivesse na sua mesa neste domingo poderia resolver o problema da dívida do Seminário do Sul.

Não sejamos ingênuos em imaginar que só isso resolve o problema do seminário. Claro que não, ele certamente é muito maior que isso. O que estou sugerindo é: resolvamos a emergência, a sangria aberta antes que o “paciente” morra. Porque se não a resolvermos, o que pode acabar acontecendo (e já vimos isso antes) é que acabemos por vender TODA a propriedade e ainda assim ficaremos devedores dos bancos, do INSS, do Ministério do Trabalho etc. (também já vimos isso antes).

Existem somente dois modos de eu não pagar esta conta. Não ser batista ou não ser dizimista. No meu caso não tenho saída. Já estou pagando a conta, quer eu queira ou não, quer eu goste ou não.

Concluo com a primeira pergunta: Você não quer pagar a conta ou não quer continuar pagando?

sábado, 2 de outubro de 2010

O Oculto Poder que emana de Brasília

Que Oculto Poder é esse que emana de Brasília?

Que poder é esse morador das portas fechadas, de assuntos não revelados? Por que poucos sabem o que acontece, mas ninguém fala? É ali que se decide a vida de tantos sem que estes sequer saibam. Pior, com a confiança de um povo simples crente na sinceridade e idoneidade de seus líderes, seus “representantes”. Que Oculto Poder é esse que emana de Brasília?

Que poder é esse que arbitra, legisla, julga, condena e “executa” com a maior desfaçatez? Com que autoridade? Não há quem os julgue, sequer quem os desvele. Fazem o que querem, como querem e quando querem sem dar contas a ninguém. Nem a si mesmos nem as suas consciências. Consciências? E ai daquele que questiona ou denuncia. Logo vem a mordaça, a censura ou algo pior. Que Oculto Poder é esse que emana de Brasília?

Um poder poderoso! Tão poderoso que gera inveja e rivalidade. Muitos o querem possuir. É um poder sedutor este de ser "o presidente". O Poder Oculto que emana de Brasília. Nesta época de eleição costuram-se os acordos políticos, subvertem a democracia, promete-se qualquer coisa para se assegurar o Poder. O Oculto Poder que emana de Brasília, na figura poderosa do presidente.


Que poder é esse que trai os seus, que esquece a vida simples de outrora dos dias difíceis? Como é possível esquecer o tempo quando tudo que possuía era tão somente a sua palavra? Agora, sua palavra vale pela força e pelo Poder, não pela verdade ou integridade. Que Oculto Poder é esse que corrompe o presidente a ponto de negar-se? Teria, ele, se esquecido de quem era? Será que nunca foi o que dizia? Penso que o Poder o corrompeu. Por isso, tudo passou a ser relativo afinal, “os fins justificam os meios”. Que Oculto Poder é esse que emana de Brasília?

Um poder vil onde o presidente e seus asseclas decidem por milhões que os elegeram e neles confiaram para os defenderem. Bons tempos quando éramos regidos por princípios, quando o fio do bigode de um homem valia mais que uma assinatura. Hoje, nem mesmo a filmagem é prova contra ele, o Oculto Poder que emana de Brasília.

É, ano de eleição é assim. Tempo de reflexão, avaliação e tomada de decisão. Quem sabe acordemos do nosso sono profundo. Quem sabe voltemos aos princípios. Quem sabe Deus tenha misericórdia do nosso povo e faça lembrar o presidente quem ele foi, quem ele é e quem o colocou lá. Somente Deus pode nos acolher sob Suas asas e nos proteger do Oculto Poder que emana de Brasília.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Socorro! Então estuprando o meu cérebro

Essa foi demais. Não deu nem para fazer uma introdução do assunto. Estou sendo violentado por algo que deveria seu prazer para mim.

Particularmente tenho uma grande alegria em colaborar com missões, conhecer e ouvir histórias de missionários. Mesmo antes do meu chamado para o seminário lembro-me que as únicas datas que sabia de cabeça eram aquelas dedicadas aos congressos missionário da minha igreja.Infelizmente, todo esse afã pelo tema tem-se tornado um verdadeiro “estupro” intelectual diante do que tenho aprendido na academia. O que deveria ser um prazer está se tornando uma tortura e uma violência ao meu raciocínio. Estão tentando engessar o meu cérebro!

O filme A Missão (The Mission, ING 1986) é um excelente filme premiado com a Palma de Ouro em Cannes e Oscar de fotografia. Tem como atores Robert de Niro, Jeremy Irons, Lian Neeson entre outros.

Talvez você esteja se perguntando o que isso tem a ver com o título. É simples. Após assistir o filme, que sinceramente eu não conhecia e o qual recomendo, houve um debate cuja pergunta foi: Então, qual tem sido o nosso modo de fazer missão?

É evidente que o “nosso” não está se referindo aos católicos (os jesuítas), mas aos “homens brancos” e por tabela a nós “homens civilizados”, se considerarmos que é deste modo que olhamos os povos de outras terras como a África, por exemplo.

O que foi grave na pergunta foi à indução do pensamento que tentou manipular os fatos, responsabilizando “Rodrigo Mendoza” (personagem de Robert de Niro), como sendo o vilão responsável pelo massacre dos índios Guaranis. Esta história está relatada nos livros de história é conhecida como "Guerras Guaraníticas” que ocorreram em vários lugares da America Latina. No caso do filme, a cidade em questão, é conhecida, hoje, como São Gabriel (em homenagem ao padre jesuíta morto no confronto) no RS. Confira.

De fato, o ex-mercador pegou em armas para defender àqueles que antes escravizava; de fato, se a missão tem como objetivo levar o amor de Deus, NADA JUSTIFICA pegar em armas; mas daí dizer que “Mendoza” foi o responsável não deu “pra engolir”. Foram os soldados da coroa espanhola que massacraram cruelmente os índios! Existe uma expressão que me parece apropriada nestes casos: “Salto o ELEFANTE e me atraco com a formiga”. Sugiro que você veja o filme e chega as SUAS próprias conclusões. Mas o que vi foi totalmente diferente.

Vi a ganância de homens, que não tinham nada a ver com missões, massacrarem os índios. Vi os poderes políticos controlarem as mentes e as ações de homens gananciosos. Vi um representante do clero (do Papa) invejoso do padre Jesuíta “Gabriel” (Jeremy Irons) ceder aos interesses mesquinhos do poder. Como seria possível que um representante do clero consentisse numa coisas dessas? Só a inveja poderia fazê-lo.

Apesar de todos estes fatos a discussão girou noutra esfera: Qual tem sisdo o nosso modo de fazer missões? A reflexão é válida e MUITO pertinente. Uma pergunta sem a qual não vale a pena sair para fazer missões nem do outro lado da rua (na casa do vizinho), mas auto lá! O filme não trata disso. No máximo deixa uma pergunta quanto à visão do índio. Para ele, sim, no fundo no fundo, não importa se foram os reis de Portugal e Espanha ou se foram os Jesuítas que os atiraram. Eles foram traídos pelos brancos e ponto. E isso é o máximo que se poder dizer quanto ao filme. Que os índios não confiam mais em nós, isso é fato, mas NÃO PORQUE os jesuítas não souberam fazer missões (ou mesmo nós numa projeção deles).  Os jesuítas (no filme) não tem responsabilidade nenhuma no massacre, até porque uma outra missão próxima também foi atacada sem aviso prévio. Todos foram expulsos e as crianças assinadas sem que os índios oferecerem a menor resistência.

Como assim Mendoza foi responsável? Ele nem estava lá. Por acaso o ex-mercenário atirou no padre Gabriel enquanto este celebrava a missa? Foi ele que comandou as tropas do rei de Espanha? Por acaso foi o padre quem determinou que os índios ficassem e lutassem? Ou foi Mendoza? Isso é o que incomoda: “saltar o elefante e se atracar com a formiga”.

É lamentável perceber que aquilo que poderia se tornar um belo debate tenha se tornado algo enfadonho, sem sentido e mais, uma agressão ao pensamento questionador de qualquer estudante de faculdade (facultare=escolher). Entretanto, o pior de tudo é ser uma voz isolada uma vez que a maioria se deixou levar pela “condução” proposta. Por isso, me pergunto: o que nós estamos vendo? o que nós estamos pensamos? como nós estamos pensando? Será que somos realmente autônomos no nosso pensar, justamente nós que nos arvoramos na posse da “verdade”?

O mais curioso é perceber que nós, os cristão, condenemos os missionários jesuítas (do filme), enquanto os não crentes, aqueles que não têm a menor ideia do que seja missão, façam exatamente o contrário criticando os valores espúrios da ganância da inveja e do poder como podemos perceber na sinopse da capa do próprio filme.

Rodrigo Mendoza é um mercador de escravos que faz da violência seu modo de vida. Na disputa pela mulher que amava mata o próprio irmão, seu rival. O remorso pela selvageria leva Mendoza à penitência, com os antes desprezados jesuítas. A paz, no entanto, lhe é negada. Envolvido no jogo político dos colonizadores ele se tornará um mártir na defesa dos Índios que viera para escravizar.
Mas tudo, sempre, tem o seu lado bom. Este “debate” de “ideias” teve sua utilidade. Primeiro, tornouse fonte de inspiração deste este post e você, leitor, tomasse conhecimento de um bom filme e bastante atual para quem gosta do tema: missões. Segundo, para que eu não “surtasse” diante do absurdo de uma “lógica” ilógica que contraria TODAS as sinopses e comentários a respeito do filme, mesmo entre os mais céticos. E finalmente, serviu como inspiração para próximo post onde abordaremos o tema, missões, este sim, do ponto de vista da crueldade dos dominadores que manipulam as missões e os missionários. Pessoas de coração puro dispostas a morrer pela causa. Ou seja, um post em total acordo com a ideia do filme.

Tenho, entretanto, uma última sugestão. Assita o filme (veja o trailer) e esteja à vontade para desconsiderar, descordar e criticar TUDO, absolutamente todo do que leu aqui. Não é meu desejo violentar a sua mente de modo algum. Aqui, você sempre poderá fazer as SUAS escolhas.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Guarda o teu coração ou Do Inferno

Talvez você tenha estranhado a parte final do título o que já explico.


Existe um filme, o qual eu gosto muito, que conta a história de Jack, o estripador, morador da Londres do século XIX. Há certa altura do filme um amigo do personagem (Jack) pergunta-lhe: - De onde veio esta ideia de matar estas mulheres desta maneira? E ele responde: - Do inferno (From Hell). Vem daí o título do filme.

Mas, qual relação com o texto de provérbios 4.23?
“Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o teu coração, porque dele procedem as fontes da vida”.
Porque este nos ensina alguns valores que devemos guardar sendo um deles fonte da própria vida, o coração.

Quando percebemos a injustiças e a opressão é comum que lutemos contra elas. Lutar contra a opressão e a injustiça é um sentimento legítimo e até nobre. Sentimento que por vezes pode levar ao outro extremo, a violência. Entretanto, existe um viés ainda mais perigoso que nos abarca o coração manifesto quando dizemos: Quando eu estiver no lugar deles (no poder) vou fazer tudo diferente.

Chamo este sentimento de “a síndrome de Darth Vader”. Anakin Skywalker, o menino pobre, vai se tornando aos poucos um Jedi. Diante o poder que lhe foi dado e tomado pelo intenso desejo de fazer justiça o jovem Jedi é literalmente levado para o lado negro da força.

Do mesmo modo, quando ouço alguém a nos falar “eu acredito que vocês farão muito melhor [que eles]”, meu coração se aquece com este mesmo sentimento e, sem perceber, lá estou eu indo para o lado errado pelo motivo correto. Este é um sentimento legítimo (fazer justiça), mas é preciso ter o cuidado de saber quem a faz. É preciso prudência e muito discernimento espiritual para entender como se faz essa justiça.


Está muito claro que a atitude de quem detém, hoje, o poder, de modo às vezes tirânico, está motivado pelo mesmo desejo de “fazer justiça”.

Ao observarmos que as mesmas críticas do passado se repetem é preciso pergunta-se o por quê. Por que geração após geração as críticas são as mesmas? Por que os mesmos sentimentos que tomaram nossos líderes no passado não são capazes de modificar suas atitudes no presente? Será que nós faremos realmente diferente deles ou seremos também criticados pela próxima geração?

Os fatos são os fatos e uma geração após outra, observamos as mesmas práticas que, hoje, abominamos e nada muda. Mas por quê? Para mim existe um plano muito bem engendrado manter a continuidade deste sistema nocivo.

Primeiro despertam-nos o sentimento mais autêntico no ser humano: o desejo da liberdade e justiça. Depois nos ensinam, os futuros líderes, que seremos os verdadeiros “salvadores da pátria”. E, finalmente, quando estivermos convencidos disso, entregam-nos o poder. E é assim que se perpetuam os erros e os desejos de “fazer justiça”. Este é um plano, literalmente, do inferno.

Por isso o texto de provérbios 4 me parece muito apropriado. Ele ensina a ouvir as palavras do Senhor (v. 10) porque são o caminho da sabedoria (v. 11). “Apega-te à instrução e não a largues; guarda-a, porque ela é a tua vida” (v. 13).

Também aprendemos a evitar o caminho dos ímpios (v. 15) porque comem do pão da impiedade e produzem violência (v. 17). “O caminho dos ímpios é como a escuridão; nem sabem em que tropeçam.” (v. 19).

Porém, de todos estes ensinos um tem prioridade: “Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o teu coração” (v. 23).

Se assim fizermos desviaremos da falsidade e perversidade da nossa boca (v. 24), olharemos sempre para frente (v. 24), ponderaremos nos nossos caminhos de forma ordenada (v. 26) e não nos inclinaremos nem para esquerda nem para direita (v 27).

Disse Jesus: “Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque eles serão fartos” (Mateus 5.6) e disse também: “Bem-aventurados os limpos de coração, porque eles verão a Deus.” (Mateus 5.8).

Tudo na vida é consequente e, por mais difíceis que sejam sempre há escolhas. Algumas destas dependem a nossa vida. Se você, assim como eu, deseja fazer tudo diferente então comece agora. De tudo que tem visto e aprendido, sobretudo guarda o teu coração.



Dedicado a um grande amigo que, como eu, não se conforma com a injustiça.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Uns são outros não são

Certa feita ouvi num sermão esta frase de forma irônica como um modo de ilustrar o que seja a unção de Deus. Segundo o sermão aqueles que obedecem ao SENHOR tem a unção Dele. Já os que não O obedecem não tem, daí a frase: “é por isso que ‘unsção’ outros não são”.


Relendo a Palavra no livro de 1 Samuel encontramos dois reis, Saul e Davi. Ambos pecadores, ambos homens ungidos por Deus, mas com destinos completamente diferentes. O primeiro, Saul, tirou a própria vida depois de cometer muitos erros. Já o segundo, Davi, apesar de todos os seus erros, é lembrado até hoje como sendo um homem segundo o coração de Deus. Alguém tão importante que o próprio Jesus é chamado várias vezes de “filho de Davi” nas Escrituras. A pergunta é por quê? Por que essa diferença se Deus ungui a ambos? Por que um deu tão certo enquanto o outro deu tão errado? Seria a unção de Deus melhor ou maior para Davi? Teria Deus ungido Saul de “brincadeirinha”? Afinal, Deus ungui ou não ungiu o rei Saul?

A unção de Saul só pode ser autêntica senão, sou obrigado a pensar que Deus estava brincando com o pobre Saul. Logo, o problema de Saul não está na unção de Deus.

Se por um lado o problema não está na unção, por utro, o problema de Saul ter tido o triste fim que teve não estava (somente) em seus pecados. Se fosse assim, Davi teria o mesmo destino ou pior. Para quem se lembra da história, Davi fez coisas muito piores que Saul. Adulterou (2 Samuel 11.4 ), usou de seu poder de rei para matar seu melhor amigo e encobrir seu pecado (2 Samuel 11.45-17 ), deixou que seus filhos se desentendessem, se violentassem e se matassem (2 Samuel 13.1-30). Por causa dessas coisas Deus não permitiu que Davi construísse o templo. Ele tinha as mãos sujas de sangue (1 Crônicas 28.1-3).

Ora, sendo assim que diferença faz a unção de Deus sobre alguém? Pouca. Salomão sabia disso. Sabia que precisava de um coração puro (quebrantado) como o de seu pai, mas precisava ainda mais. Precisava de sabedoria para poder ser rei e julgar tão grande povo (1 Reis 3.3-10). Não quero invalidar ou diminuir a unção do SENHOR para os homens e mulheres de Deus ao longo da história. Apenas desejo mostrar que a unção não garante santidade a ninguém. Sem entrar na filologia da palavra, o que a Bíblia mostra é o que o salmista já dizia: “Os sacrifícios para Deus são o espírito quebrantado; a um coração quebrantado e contrito não desprezarás, ó Deus.” (Salmos 51.17). Portanto a unção de Deus foi idêntica para ambos, Saul e Davi, mas o coração deles era completamente diferente.

Temos confundido unção com outras palavras e significados que não fazem o menor sentido. Santidade, perfeição, poder especial (no sentido equivocado), sabedoria e dons “especiais” são algumas das ideias que nos passam na mente quando ouvimos a palavra unção.

Ora, Davi não se atreveu a tocar no ungido do Senhor que tentava matá-lo. Por duas vezes teve a oportunidade de tira a vida de Saul, mas não o fez. Não o fez não porque Saul fosse santo, perfeito, ou qualquer uma destes pensamentos que temos quanto à palavra unção. Davi não o fez por obediência e temor a Deus.

Saul foi tão pecador quanto Davi. Logo a diferença não estava na unção, mas na obediência de um coração quebrantado. Ao ser confrontado pelo profeta Natã, Davi se arrepende. Não manda matar o profeta, não se envaidece, não busca outras saídas fáceis, não se rebela contra Deus. Ele simplesmente se arrepende conforme o Salmo 51.

Por um lado cobramos uma santidade e perfeição de nossos líderes (coisa que nenhum deles tem). Quantos têm caído e se arrependido, mas nós os estigmatizamos ou pior, nós simplesmente os crucificamos.

Por outro lado, temos os endeusado a ponto de acharmos que eles nunca erram. Alguns (poucos) têm cometido verdadeiras atrocidades e, no entanto, a igreja “racha”, as mazelas são expostas, o Reino de Deus sofre, o escândalo vem e mesmo assim eles continuam de pé como se estivessem acima do bem e do mal.

Mas por quê? Porque dizemos: “ai daquele que tocar no ungido do Senhor”, como se isso conferisse algum poder especial ao homem que foi consagrado ao ministério. O homem de Deus é o mais obediente e não o que faz a sua própria vontade. É aquele que reconhece seu erro e se arrepende não o que acusa os outros (mais fracos) de hereges ou de filhos do diabo.

Pior do que nós pensarmos que o ungido do Senhor é mais “santo” que todo mundo, é o próprio homem consagrado começar a achar que de fato ele o é realmente. Mas o que há de novo neste pensamento? Nada. Os fariseus pensavam e agiam assim, Lutero agiu assim, o catolicismo é assim (a infalibilidade papal) e por aí vai.

A unção de Deus é coisa séria, e aquele que a recebe prestará contas àquele que a concedeu. Mas não sejamos tolos. O verbo do texto diz “tocar” no sentido de ferir ou tirar a vida. Não diz que não devemos confrontar tal qual tantos profetas o fizeram com tantos reis (muitos pagando com a própria vida). Alguém diria que Isaías era herege ou que Eliseu era filho do diabo?

Unção é coisa séria, é de Deus, é algo especial e precisa ser respeitada. Mas unção não é santidade, perfeição, nem tão pouco algo que faz o homem de Deus alguém sobrenatural acima do juízo ou da Palavra de Deus. E, em se tratando de Palavra, é sempre o SENHOR quem dá a última Palavra, nos dois sentidos.

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