terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Ortodoxos, católicos e evangélicos à mesa

Na noite de Natal, Danilo Gentili entrevistou três líderes cristãos em seu programa "The Noite" pelo SBT: o padre Basílio, (Igreja Ortodoxa Grega), o padre Antônio Maria (Igreja Católica Romana) e o pastor Ed René Kivitz (Igreja Batista). Uma das mais belas entrevistas deste ano.



Quando há grandeza de espírito e alto nível de conhecimento, há diálogo. Quando o espírito é pequeno e o conhecimento é medíocre, sobra discussão. (Leonardo Martins)

Um pouco de ciência nos afasta de Deus

Louis Pasteur: Saiba mais
História ocorrida em 1892: Um senhor de 70 anos viajava de trem, tendo ao seu lado um jovem universitário, que lia o seu livro de ciências. O senhor, por sua vez, lia um livro de capa preta. Foi quando o jovem percebeu que se tratava da Bíblia e estava aberta no livro de Marcos. Sem muita cerimônia, o jovem interrompeu a leitura do velho e perguntou:

– O senhor ainda acredita neste livro cheio de fábulas e crendices?

 Sim, mas não é um livro de crendices. É a Palavra de Jesus. Estou errado?

 Mas é claro que está! Creio que o senhor deveria estudar a História Universal. Veria que a Revolução Francesa, ocorrida há mais de 100 anos, mostrou a miopia da religião. Somente pessoas sem cultura ainda creem que Deus tenha criado o mundo em seis dias. O senhor deveria conhecer um pouco mais sobre o que os nossos cientistas pensam e dizem sobre tudo isso.

 É mesmo? E o que pensam e dizem os nossos cientistas sobre a Bíblia?

 Bem, respondeu o universitário, como vou descer na próxima estação, falta-me tempo agora, mas deixe o seu cartão que eu lhe enviarei o material pelo correio com a máxima urgência. O velho, então, cuidadosamente, abriu o bolso interno do paletó e deu o seu cartão ao universitário.

Quando o jovem leu o que estava escrito, saiu cabisbaixo sentindo-se pior que uma ameba. No cartão estava escrito:

Professor Doutor Louis Pasteur
Diretor-Geral do Instituto de Pesquisas Científicas da Universidade Nacional da França.

"Un peu de science éloigne de Dieu, beaucoup de science y ramène."*
Tradução: "Um pouco de ciência nos afasta de Deus. Muito, nos aproxima."

*citado em "L'Age nouveau", Edições 99-104‎ - Página 66, 1957

Fonte: http://gracamaior.com.br/mensagens/191-um-pouco-de-ciencia-nos-afasta-de-deus-muito-nos-aproxima.html

sábado, 19 de julho de 2014

O galo que cantava para fazer o sol nascer

Minha tristeza e homenagem ao grande Rubem Alves.
Era uma vez um galo que acordava bem cedo todas as manhãs e dizia para a bicharada do galinheiro:
— Vou cantar para fazer o sol nascer…
Ato contínuo, subia até o alto do telhado, estufava o peito, olhava para o nascente e ordenava, definitivo:
— Có-có-ri-có-có…
E ficava esperando.
Dali a pouco a bola vermelha começava a aparecer, até que se mostrava toda, acima das montanhas, iluminando tudo.
O galo se voltava, orgulhoso, para os bichos e dizia:
— Eu não falei?
E todos ficavam biqui/abertos e respeitosos ante poder tão extraordinário conferido ao galo: cantar pra fazer o sol nascer.
Ninguém duvidava. Tinha sido sempre assim. Também o galo-pai cantara para fazer o sol nascer, e o galo-avô.
Tal poder extraordinário provocava as mais variadas reações.
Primeiro, os próprios galos não estavam de acordo. E isto porque não havia um galo só. Quando a cantoria começava, de madrugada, ela ia se repetindo pelos vales e montanhas. Em cada galinheiro havia um galo que pensava a mesma coisa e julgava todos os outros uns impostores invejosos. Além do que não havia acordo sobre a partitura certa para fazer o sol nascer. Cada um dizia que a única verdadeira era a sua — todas as outras sendo falsificações e heresias. Em cada galinheiro imperava o terror.
Os galos jovens tinham de aprender a cantar do jeitinho do galo velho, e se houvesse algum que desafinasse ou trocasse bemóis por sustenidos, era imediatamente punido. Por vezes, a punição era um ano de proibição de
cantar. Sendo mais grave o desafino, ameaçava-se com o caldeirão de canja do fazendeiro, fervendo sobre o fogão de lenha.
[…]
Depois havia grande ansiedade entre os moradores do galinheiro. E se o galo ficasse rouco? E se esquecesse da partitura?
Quem cantaria para fazer nascer o sol? O dia não amanheceria. E por causa disso cuidavam do galo com o maior cuidado.
Ele, sabendo disso, sempre ameaçava a bicharada, para ser mais bem tratado ainda.
— Olha que eu enrouqueço!, dizia.
E todos se punham a correr, para satisfazer as suas vontades.
[…]
Aconteceu, como era inevitável, que certa madrugada o galo perdeu a hora. Não cantou para fazer o sol nascer.
E o sol nasceu sem o seu canto.
O galo acordou com o rebuliço no galinheiro. Todos falavam ao mesmo tempo.
— O sol nasceu sem o galo… O sol nasceu sem o galo…
O pobre galo não podia acreditar naquilo que os seus olhos viam: a enorme bola vermelha, lá no alto da montanha. Como era possível? Teve um ataque de depressão ao descobrir que o seu canto não era tão poderoso como sempre pensara. E a vergonha era muita.
Os bichos, por seu lado, ficaram felicíssimos. Descobriram que não precisavam do galo para que o sol nascesse. O sol nascia de qualquer forma, com galo ou sem galo. Passou-se muito tempo sem que se ouvisse o cantar do galo, de deprimido e humilhado que ele estava. O que era uma pena: porque é tão bonito. Canto de galo e sol nascente combinam tanto. Parece que nasceram um para o outro.
Até que, numa bela manhã, o galinheiro foi despertado de novo com o canto do galo. Lá estava ele, como sempre, no alto do telhado, peito estufado.
— Está cantando para fazer o sol nascer?, perguntou o peru em meio a uma gargalhada.
— Não, ele respondeu. Antes, quando eu cantava para fazer o sol nascer, eu era doido varrido. Mas agora eu canto porque o sol vai nascer. O canto é o mesmo. E eu virei poeta.

ALVES, Rubem. Estórias de bichos. 2. ed. São Paulo: Loyola, 1990. p. 22-5.

quarta-feira, 28 de maio de 2014

Governistas x Oposicionistas

Por Anonymous Rio

A situação e a oposição não possuem diferenças, podem brigar mas compartilham o mesmo sangue, os mesmos objetivos: Conquistar poder e grana.


Essa imagem feita pelo Cartunista Latuff é apenas ilustrativa, por tucanos entendam toda a multidão dos #ForaPT e por PT entenda todas as coligações que hoje fazem parte da base governista. Sim, seguiremos a ideia bipartidária que hoje domina a concepção dos governistas e oposicionistas brasileiros.

Peguemos um oposicionista famoso, o Jair Messias Bolsonaro, adorado por todos os militares e direitistas convictos, defensor da ordem e dos bons costumes, que bate carteirinha na mídia ao defender a ordem e o aumento da segurança por mãos de ferro tem nada mais, nada menos que 66,7% de faltas na CESEGUR - Comissão de Segurança Pública, 86,4% de faltas na CSPCCO - Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado e 100% de falta na SUBOPOL - Subcomissão Permanente para a Investigação de Denúncias e Acompanhamento de Operações Policiais sobre Crime Organizado, Tráfico de Drogas e Armas, Contrabando, Crimes em Fronteiras, Pirataria, Corrupção, Lavagem de Dinheiro, Violência Rural e Urbana e Situações Conexas Pertinentes à Segurança Pública, todas comissões que faz parte.

Conseguem compreender que discursos bem elaborados são fáceis de fazer? Escolher uma determinada demanda popular e explora-la ao máximo, usando seus fieis convictos é fácil demais.

Querem outro exemplo de oposição? Marcelo Freixo, que é sempre o primeiro a pular fora quando a situação complica, não foi difícil para ele se juntar ao Jair Bolsonaro e assinar a CPI do "Vandalismo", aquela mesmo que prometia perseguir e ainda promete servir como um verdadeiro caça as bruxas.

Falar dos governistas se torna até complicado quando de fato não aparecem tanto, mas estão aí, os observem, parece óbvio lembrar que todos eles estão fervendo de ódio e colocando numa só caixinha todos os que são contra a Copa, enaltecendo as vantagens maquiadas que só eles enxergam, condenando toda a massa desfavorecida e prejudicada pelas diversas remoções e até mesmo as mortes dos operários, esses dias mesmos compartilhamos um print de um rapaz que usando a foto do Che Guevara, criticava os ocupantes da Odebrecht, a construtora milionária e patrocinadora da campanha dos seus supostos ídolos de esquerda. Aliás, nisso ambos concordam (governistas e direitistas convictos), acreditam que o atual governo é de esquerda, enquanto favorecem grandes corporações e fecham com um lucro absurdo para os bancos brasileiros.

Todos esses ditos representantes do povo não são mais do que parasitas que usam o desespero e a cultura do super-herói para garantir seus privilégios.

Está na hora de pararmos de legitimar tomadores de decisão e fazer do povo pessoas capazes e conscientes o suficiente para decidirem sobre seus destinos sem ser agredido, preso e ameaçado quando ousarem colocar em voga poderes absolutos e autoritários, colocando em risco a soberania travestida de democracia daqueles que sempre foram os únicos tomadores de decisão, por um bando de tecnocratas que terão seu emprego garantido nos bancos ou parlamentares cujo as campanhas são financiadas por estes.

O que vai mudar não é a troca de governo, tal como não se muda um jogo somente mudando as peças, o que vai mudar é quando o povo começar a perceber que precisa ser seu próprio herói. Não seja massa de manobra em briga de oposição.

Quem quiser conferir o que falamos sobre o Bolsonaro: http://www.excelencias.org.br/@parl.php?id=483&cs=1

quinta-feira, 24 de abril de 2014

Que Noé é esse?

Vi-me obrigado a assistir o filme para depois dizer algo.

Noé não é um filme bíblico, afirmam as sinopses. “Adaptação do conto bíblico de Noé. De acordo com a Bíblia, Deus estava descontente com a perversidade dos humanos e pretendia destruí-los, poupando apenas os animais e Noé, que ele considerava o único homem justo na Terra. Assim, ele deu ordens a Noé para construir uma arca e abrigar um casal de cada espécie de animal existente na natureza, a fim de protegê-los do dilúvio.”

“... 'In the beginning, there was nothing.' So starts this version of the story centered on Noah (Russell Crowe), the man entrusted by God to save the innocent animals of Earth as the rising floodwaters cleansed the planet of mankind's evil ...”

“Russell Crowe stars as Noah in the film inspired by the epic story of courage, sacrifice and hope. Directed by visionary filmmaker Darren.”

A comunidade ateia, inclusive, sabe disso. “Esta versão não é a da Bíblia, é claro ... O filme simplesmente não foi baseado na Bíblia. ... Aliás, em defesa do diretor, devemos reconhecer que o filme nem sequer foi anunciado como se fosse. “Noé” não é uma adaptação do Gênesis. O filme nunca foi anunciado como “Noé da Bíblia” ou como “A História Bíblica de Noé”.

Trailer
video

Se alguém desejar assistir filmes bíblicos sobre Noé deixo algumas dicas. A terceira, em minha opinião, é a melhor.
1 - http://www.youtube.com/watch?v=PB-mnNmepR8
2 - http://www.youtube.com/watch?v=Zbrd9qiOyvc
3 - http://www.youtube.com/watch?v=qcoopKWvLZ8 (só em locadora).

Esclarecido este ponto, vamos ao filme. Ele é empolgante, divertido e alguns momentos emocionante. Não é o melhor filme que assisti, mas o recomendo para dois tipos de público. 1) Pessoas que gostam um bom filme; 2) Crentes que saibam ler. O primeiro porque é um filme divertido, o segundo porque quem sabe ler certamente lerá a sinopse antes de julgar o filme como sendo bíblico.

Apesar de não ser bíblico, o filme traz a tona a questão central de toda a bíblia, o pecado  pelo qual entrou o mal no mundo. Outro ponto comum entre ambos, o filme e a Bíblia, é a liberdade do homem em decidir seguir entre dois caminhos, o bom e o mau. Cada escolha é tratada pelo ‘Criador’ de modo diferente, por isso Noé é separado para começar tudo de novo.

Não recomendo o filme de jeito nenhum a crentes que não sabem ler. Esses que já vão para o cinema com o filme “bíblico” na cabeça. Será uma decepção, para não dizer coisa pior.

Curiosamente enquanto esses “defensores” do livro que não conhecem apontam “os piores erros teológicos do filme”, na “Malásia e a Indonésia proibiram a exibição épico norte-americano Noé,” porque ele “é contra as leis islâmicas.” O filme foi censurando também em outros lugares. “Catar, Bahrein e Emirados Árabes proibiram o lançamento do filme, e decisões semelhantes são esperadas de Egito, Jordânia e Kuwait.”

“Além das críticas dos evangélicos, o filme foi alvo também de uma crítica por parte do Vaticano, que em seu jornal oficial “Avvenire” criticou a produção afirmando ter se tratado de uma “oportunidade perdida” e destacou que o filme mostra um “Noé sem Deus”.

Por outro lado, a crítica não religiosa, nos EUA e no Brasil,  percebeu o ponto central do filme. “Noé, numa leitura herege  que me perdoem os crentes , é o maior obsessivo da Bíblia. Ele é o homem que recebeu de Deus a absurda missão de garantir a renovação da criação divina.”

Existem outras críticas ao filme quanto à sua estética etc., mas isso é outro assunto.

Que Noé é esse? É o Noé adaptado pelo judeu/ateu Darren Aronofsky. Um Noé com uma profunda crise existencial.

Termino aqui fazendo minhas as palavras do Estadão. “Noé é fascinante. Sua vida tem a ver com a própria existência da humanidade.”











terça-feira, 1 de abril de 2014

Sobre fé, religião e Deus: Divagações

Outro dia fiquei desconfortável com uma oração por nossos pequeninos bastante frequente entre nós.
_ " ... Pai, protege os nossas crianças da violência, da maldade deste mundo etc. etc. etc."
Estava atento quando, de repente, senti como quem ouve "uma voz" ...

Pai de duas meninas quase chorei, não só por elas diante deste mundo mal. Pensei, antes, nas tantas crianças abandonadas a própria sorte nas ruas e da cidade. Confesso, me senti tão egoísta com aquela oração.

Com a voz embargada murmurei.
_ "Pai, proteja, primeiro, as crianças abandonadas nas ruas, com fome, com frio e com medo da violência e, se possível, livra as nossas de tão vil destino."
(Leonardo Martins)


Se fé fosse certeza, se fosse previsível, se fosse racional não teria este nome. Claro, não falo da fé científica, mas da outra.
(Leonardo Martins)


Ira, ódio, arrependimento etc., vindo de Deus são formas humanas de se explicar as dores e sofrimentos consequentes de uma vida dissoluta.
Deus se impõe dois limites: 1) Dar total liberdade ao homem; 2) Amá-lo incondicionalmente. Que bom! Se ele, sendo Deus, de fato odiasse, imagine.
(Leonardo Martins)


"Um dos nomes de Deus é surpresa", disse certo pregador. Hoje, o que Ele tem me feito é mais que surpreendente ou improvável; é extraordinário (fora do ordinário).
(Leonardo Martins)


Na mais absoluta e inevitável solidão me restará 1) Deus; 2) Meus pensamentos. Aquele nunca faltará.
(Leonardo Martins)


terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Batman, símbolo de um Brasil colônia

A figura do ‘Batman’ nas manifestações do Rio é, ao mesmo tempo, cômica e patética.




A figura do ‘Batman’, o cavaleiro das trevas, tem se destacado nas últimas manifestações no Rio de Janeiro. Por um lado, trata-se de uma figura pândega pela alusão feita ao justiceiro de Gotham City vivido pelo milionário excêntrico Bruce Wayne. Por outro, reflete a imagem de um povo sem identidade própria que busca num personagem dos quadrinhos alguma esperança de dias melhores.

É divertido ver o ‘Batman’ ora acompanhando os manifestantes, ora fugindo da polícia. Ele faz pose, aparece nos jornais, dá entrevistas, fala nos palanques etc. Pode-se até tirar fotos ao lado dele. Até aí nada de mais, mas daí a acreditar no mito como se ele fosse verdade constitui uma dupla insanidade. Em primeiro lugar porque a vida real não é uma história dos quadrinhos. Em segundo lugar porque buscar, ainda que inconscientemente, a solução para problemas nos heróis é uma perda de tempo porquanto eles (desculpe pelo choque) NÃO EXISTEM.

Além disso, essa figura caricata tem um traje nada barato à realidade brasileira. Segundo outro ‘justiceiro’ de Taubaté, ela estaria em torno de nove mil reais.

A tragédia brasileira passa por sua falta de memória. Ricardo Teixeira da Cruz, conhecido como ‘Batman’, acusado de chefiar uma milícia em Campo Grande, Zona Oeste do Rio, foi condenado a 12 anos de prisão em regime fechado em 2010. O símbolo que causa risos no centro do Rio é o mesmo que representa a associação ao crime organizado na Zona Oeste. São duas realidades que não cabem num mesmo ‘gibi’, exceto na mente de adultos infantilizados.

Essa visão pueril está ligada aos muitos anos da influência cultural estadosunidenses. O Batman e sua Liga da Justiça (a dos quadrinhos, é claro) encantam justamente porque, no final, eles sempre vencem o mal. E não faltam males a serem vencidos no nosso país. Ano após ano buscamos um super-herói capaz de nos defender e nos vingar das injustiças. A pergunta posta é sempre a mesma: “Óh, e agora, quem poderá me defender?” Todavia, Chapolin Colorado (muito mais a ‘nossa cara’) não faz parte da lista de heróis esperados como resposta.

Todavia, a crença no herói estrangeiro é uma invencionice 100% brasileira. D. Pedro de Alcântara de Bragança era o e príncipe herdeiro de Dom João VI, rei de Portugal, país do qual o Brasil era colônia. Diz a lenda que no dia 7 de setembro de 1882 D. Pedro teria declarado a Independência do Brasil com o brado “Independência ou Morte!”, às margens do rio Ipiranga. Curiosamente depois de tal pataquada: 1) ninguém morreu; 2) o Brasil passou a ser governado por D. Pedro I, um português; 3) sob o mesmo regime político anterior, a monarquia (completamente diferente da independência dos EUA).

Essa é a nossa herança política. Sem esperança quantos não projetaram no MDB, de Ulisses Guimarães, a esquerda salvadora? Milhões de brasileiros acreditaram (eu, inclusive) que um homem simples vindo do povo iria redimir o Brasil. Mas, não foi só a crença na esquerda. Muitos apostaram ser o jovem rico, atleta e de boa aparência o 'Salvador da Pátria'. Em todos os casos a depravação política, econômica e moral precederam os heróis.

Contra a antidemocracia, as “Diretas Já” (com o MDB de Ulisses e companhia); contra a desesperança, vencemos o medo (com Lula); contra os marajás, brotou-se um caçador (Fernando Collor). O problema é que todos estes heróis mostram-se falso quando estão no poder e aí ... Aí nos desapontamos, choramos, esbravejamos e, claro, procuramos outro herói ainda que seja um símbolo tragicômico como o ‘Batman’.

O Brasil passa outra vez por uma crise moral da qual certamente surgirá um novo justiceiro. Quem sabe alguém também de capa preta!? Quem sabe um novo caçador de malfeitores!? Quem sabe, até, um anti-herói! É, parece que a história tende a se repetir.

A figura do ‘Batman’ nas manifestações do Rio de Janeiro é, ao mesmo tempo, cômica e patética. Cômica, porque é alegre e nos faz rir das nossas mazelas. Patética, porque simboliza o desespero de um povo sem esperança nas instituições, na sua história e na sua gente. Um povo que precisa projetar num super-herói importado alguma identidade porque não possui uma identidade própria. A figura do ‘Batman’, enquanto símbolo, é a melhor representação de um Brasil que ainda vive e pensa como colônia.

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