quinta-feira, 14 de outubro de 2010

No limiar do conhecimento

Quando tiveres desvendado todos os mistérios da vida ansiarás pela morte, pois ela não é senão outro mistério da vida.” Esta conhecida frase Gibran Khalil Gibran presente em seu livro Areia e Espuma nos trás algumas reflexões.

Começo, propositalmente, este texto pela conclusão para que você possa desistir de lê-lo logo no seu início. Se, contudo, desejar continuar já sabe como irá terminar.

Com afinco tenho me dedicado às aulas das quais fazem parte as de cunho filosófico. O interesse é grande visto que tais matérias auxiliam no entendimento de como o mundo pensa.

Não poucas vezes me deparo com o um filósofo ou pensador importante e influente em seu tempo que, não por acaso, ainda influencia os pensamentos do nosso tempo.

O problema reside justamente neste afinco em compreender alguns destes pensadores. O que tenho percebido é que dificilmente algum deles consegue levar às últimas consequências seus ideais filosóficos.

Digo mais claramente: Se nos aproximarmos destes homens totalmente libertos de quaisquer preconceitos e dispostos a levarmos a cabo seus planos para a humanidade, certamente estaremos em rota de colisão com a tragédia da vida humana.

A esta altura muitos estão a escarnecer deste texto, mas que tal poderá-lo sob duas perspectivas muito simples e diretas, bem ao estilo filosófico?

A primeira diz respeito as sucessões de filosofias. Ora, fica claro que um filósofo após o outro modifica, aperfeiçoa ou nega seu antecessor. Isso evidencia que, apesar de todo conhecimento de um, outro virá para modificá-lo. Logo, este conhecimento ainda não está “perfeito”. – Não tratamos com ingenuidades históricas e contextuais que se aplicam a estes casos numa análise hermenêutica séria. – O que se evidencia á a dinâmica própria de cada sociedade, de cada civilização. Portanto, é precipitado pensar que temos, hoje, o conhecimento mais acurado, mais completo ou mais “atual”.

A segunda proposta é metafórica. Imagine que você e sua família sejam os últimos remanescentes da espécie humana e têm, agora, a oportunidade de começar tudo absolutamente do zero. É quem você vai estabelecer a linguagem, as leis, o saber, as crenças etc. Tudo dependerá somente de você. Só você detém todo o conhecimento acumulado da história como a temos hoje. Pergunto: Como você faria para construir um “mundo perfeito”? Ou seja, qual seria a filosofia eficiente e eficaz capaz de construir uma sociedade perfeita e harmônica. Lembre-se que ninguém mais tem memória passada. Então, já pensou em um ou mais nomes de pensadores capazes de reconstruir tal sociedade? Pergunto novamente: Qual filosofia levada as suas últimas consequências daria cabo desta façanha?

Bem, a esta altura sugiro que você escreva os nomes e os pensamentos destes tais e faça um teste para verificar se realmente daria certo. Sugiro um título para essa gênesis hipotética. Que tal chamar de; o mundo perfeito segundo ... e complete com o nome que quiser.

Admito, tenho feito esse exercício durante as aulas. A cada contato com um novo pensador sua "nova" filosofia, eu descubro que também esta não dá conta de construir um “mundo perfeito”. Ela logo passa ser somente mais uma filosofia que levaria o mundo a sua autodestruição (neste nosso exercício).

Ao que parece, o conhecimento é um processo acumulativo do saber do ontem, no hoje para o amanhã. E o mais importante deste conhecimento não está na sua teoria de “ideal”, mas na aplicação para a vida. Na vida das pessoas, no equilíbrio que todo ser humano deve ter. Equilíbrio até mesmo do "o que" e "o quanto" conhecer. Parece-me que o conhecimento pelo conhecimento desconectado da vida, é algo vão e sem sentido e está fadado a levar o homem a loucura da “não-vida”.

Por isso comecei pela frase do Gibran. A meu ver ela faz todo sentido.

No limiar do conhecimento está a vida. Mas tudo é uma questão de escolha.

domingo, 10 de outubro de 2010

Duas cocas ou 4 milhões?

Você chega ao restaurante e pede ao garçom: Duas cocas por favor! E ele responde: Duas cocas ou 4 milhões? Se isso parece absurdo te convido a leitura atenta do texto cujo título original é:

Seminário do sul: Não quero pagar a conta

A dívida do Seminário do Sul vem crescendo nos últimos anos. Segundo informações de março de 2010 ela está em mais de R$ 4.000.000,00 (quatro milhões de reias). Isso significa mais de 90.000,00 (noventa mil reias) de juros ao mês. Alguém quer pagar esta conta? Eu não quero e creio que você também não.

Existem, porém, algumas perguntas que precisam de respostas urgentes. A primeira é: Você não quer pagar a conta ou não quer continuar pagando? O que eu não quero é continuar pagando.

Será que alguém imagina que o banco vai perdoar a nossa dívida? Será que ela vai cair no esquecimento? Será que DEUS vai mandar o dinheiro do céu, ainda que tenha poder para fazê-lo? Será que a dívida vai, simplesmente, desaparecer?

Olhemos para a JUERP e será fácil perceber o que vai acontecer. Essa dívida será negociada e será paga, sim, centavo por centavo durante longos anos. E de onde virá o dinheiro? Dos dízimos e das ofertas que com fidelidade eu e você devolvemos ao Senhor.

Será Ele, por intermédio da nossa fidelidade, que não permitirá que sejamos escarnecidos nem que o Seu nome seja envergonhado. Portanto será com o dinheiro d’Eele que dívida vai ser paga.

O problema, então, é muito mais sério. Porque se o dinheiro é do Senhor, Ele há de nos pedir conta da nossa mordomia. Como temos administrado os recursos que Ele mesmo nos dá? Recursos que voluntariosamente e com fé a Ele devolvemos. Temos sido bons mordomos do Senhor? Ou temos enterrado os talentos que Ele nos deu? Ou, pior, não estamos desperdiçando os Seus bens?

Por outro lado, qual tem sido a nossa visão do Reino de Deus? Por que pagar juros aos bancos enquanto se temos missionários precisando de ajuda nos campos? O valor pago aos bancos, somente com juros, NÃO vai para a janela 10 x 40; NÃO sustenta nenhum novo obreiro na Coreia ou na China; NÃO compra bíblias; NÃO amplia o trabalho missionário; NÃO compra nem um folhetinho sequer; NÃO leva o evangelho do Reino para o banqueiro; e o pior de tudo, estes juros NÃO DIMINUEM a atual dívida: são somente juros que vão crescendo a cada dia. Perceba, enquanto você lê este artigo, nós, batistas, passamos a dever aos bancos mais 3.000,00 (três mil reias) de juros. Isso hoje. Amanhã serão mais 3.000,00 caso você lembre, caso você se esqueça do que leu hoje. Mas mesmo que eu ou você nos esqueçamos da dívida os bancos não vão esquecer e certamente irão cobrá-la de nós.

Mas o que fazer diante disso?

Para alguns a solução é vender parte da propriedade e pagar a dívida o quanto antes. Mas será mesmo esta a melhor solução? Os que apoiam esta ideia o fazem porque, com a venda, não será necessário tirar dinheiro de lugar nenhum para pagar a dívida. Ora, se o pagamento da dívida vem da venda da propriedade, então, não oneraria ninguém, correto?

Neste caso, surgem novas perguntas que precisam ser respondidas. A propriedade é patrimônio nosso, dos batistas brasileiros, adquirida pela graça do Senhor para que nós, seu filhos, as administremos com sobriedade e seriedade. Uma propriedade que nos foi confiada por outros que vieram antes de nós e a nós a entregaram. Um lugar marcante e marcado na vida de tantos vocacionados de nossa denominação. Um lugar chamado “Betel”, porque verdadeiramente “o SENHOR está neste lugar; e eu não o sabia.” (Gn 28.16b) Vender; será que é isso que Deus quer?

Entretanto, existe uma questão lógica a ser respondida. Com a suposta venda de parte da propriedade pelos esperados 12.000.000,00 (doze milhões de reais) os juros vão parar de crescer? Quando venderemos? A dívida projetada para o fim deste ano aponta para 5.000.000,00 (cinco milhões de reais). Significa dizer que dos 12 milhões receberemos apenas 7 milhões. Ou seja, se vendermos até o fim do ano de 2010, pelos 12 milhões a vista, ficaremos somente com 7 milhões. Se não, quando venderemos? Por quanto venderemos? E quanto vai ficar com nós outros, os batistas? E quanto vai ficar com os bancos?

Que outra solução podemos adotar?

Sinceramente eu não sei, mas tenho uma sugestão: Parar de beber coca-cola! Não, não se trata de dieta ou campanha contra a empresa. Trata-se de trocar a dívida por duas latas de refrigerante. Somos cerca de 1.500.000 (um milhão e meio) de batistas no Brasil. Se cada um colocar no seu coração o propósito de não pagar mais nenhum centavo aos bancos, assim será. Dois refrigerantes de cada batista brasileiro pagam dívida toda de uma só vez. Ou seja, dois refrigerantes (quatro reias) de cada batista brasileiro acabariam com a dívida num único ano, num único mês, num único dia. Quatro reais no ano é muito pouco para ficamos com a corda no pescoço. No próximo almoço de domingo, aquele em família após o culto, depois de agradecer ao Senhor por todas as bênçãos e, após agradecer pelo alimento que Ele nos dá, olhe para sua mesa. Talvez você, assim como eu, veja uma deliciosa garrafa de refrigerante bem geladinha. Pois se ela não estivesse na sua mesa neste domingo poderia resolver o problema da dívida do Seminário do Sul.

Não sejamos ingênuos em imaginar que só isso resolve o problema do seminário. Claro que não, ele certamente é muito maior que isso. O que estou sugerindo é: resolvamos a emergência, a sangria aberta antes que o “paciente” morra. Porque se não a resolvermos, o que pode acabar acontecendo (e já vimos isso antes) é que acabemos por vender TODA a propriedade e ainda assim ficaremos devedores dos bancos, do INSS, do Ministério do Trabalho etc. (também já vimos isso antes).

Existem somente dois modos de eu não pagar esta conta. Não ser batista ou não ser dizimista. No meu caso não tenho saída. Já estou pagando a conta, quer eu queira ou não, quer eu goste ou não.

Concluo com a primeira pergunta: Você não quer pagar a conta ou não quer continuar pagando?

sábado, 2 de outubro de 2010

O Oculto Poder que emana de Brasília

Que Oculto Poder é esse que emana de Brasília?

Que poder é esse morador das portas fechadas, de assuntos não revelados? Por que poucos sabem o que acontece, mas ninguém fala? É ali que se decide a vida de tantos sem que estes sequer saibam. Pior, com a confiança de um povo simples crente na sinceridade e idoneidade de seus líderes, seus “representantes”. Que Oculto Poder é esse que emana de Brasília?

Que poder é esse que arbitra, legisla, julga, condena e “executa” com a maior desfaçatez? Com que autoridade? Não há quem os julgue, sequer quem os desvele. Fazem o que querem, como querem e quando querem sem dar contas a ninguém. Nem a si mesmos nem as suas consciências. Consciências? E ai daquele que questiona ou denuncia. Logo vem a mordaça, a censura ou algo pior. Que Oculto Poder é esse que emana de Brasília?

Um poder poderoso! Tão poderoso que gera inveja e rivalidade. Muitos o querem possuir. É um poder sedutor este de ser "o presidente". O Poder Oculto que emana de Brasília. Nesta época de eleição costuram-se os acordos políticos, subvertem a democracia, promete-se qualquer coisa para se assegurar o Poder. O Oculto Poder que emana de Brasília, na figura poderosa do presidente.


Que poder é esse que trai os seus, que esquece a vida simples de outrora dos dias difíceis? Como é possível esquecer o tempo quando tudo que possuía era tão somente a sua palavra? Agora, sua palavra vale pela força e pelo Poder, não pela verdade ou integridade. Que Oculto Poder é esse que corrompe o presidente a ponto de negar-se? Teria, ele, se esquecido de quem era? Será que nunca foi o que dizia? Penso que o Poder o corrompeu. Por isso, tudo passou a ser relativo afinal, “os fins justificam os meios”. Que Oculto Poder é esse que emana de Brasília?

Um poder vil onde o presidente e seus asseclas decidem por milhões que os elegeram e neles confiaram para os defenderem. Bons tempos quando éramos regidos por princípios, quando o fio do bigode de um homem valia mais que uma assinatura. Hoje, nem mesmo a filmagem é prova contra ele, o Oculto Poder que emana de Brasília.

É, ano de eleição é assim. Tempo de reflexão, avaliação e tomada de decisão. Quem sabe acordemos do nosso sono profundo. Quem sabe voltemos aos princípios. Quem sabe Deus tenha misericórdia do nosso povo e faça lembrar o presidente quem ele foi, quem ele é e quem o colocou lá. Somente Deus pode nos acolher sob Suas asas e nos proteger do Oculto Poder que emana de Brasília.

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