sábado, 31 de dezembro de 2011

Integração das gerações: é assim que se vive!

Por Josué Melo Salgado
Fonte: www.stbnm.org.br

“Quem espera em Cristo não pode mais contentar-se com a realidade dada, mas começa a sofrer por causa dela, a contradizê-la. Paz com Deus significa inimizade com o mundo, pois o aguilhão do futuro prometido arde implacavelmente na carne de todo presente não realizado.” (Jürgen Moltmann. Teologia da Esperança. São Paulo: Herder 1971, p.9).

Quem espera em Cristo não se contenta com a realidade, mas a contradiz. Quem espera em Cristo não se contenta com as imperfeições, suas e dos outros, e procura contradizê-las, não só com discurso, mas, sobretudo, com a prática. Moltmann captou a essência da esperança cristã, que não é algo apenas exterior a quem espera, mas que envolve, sobretudo, ações concretas, que procuram realizar o que se espera.

Assim o crente procura constantemente aperfeiçoar-se em direção à esperança cristã, naquilo que Deus espera dele e naquilo que, como conseqüência, ele mesmo espera de si e dos seus irmãos.

A esperança cristã não pode prescindir da unidade do Corpo de Cristo. Por outro lado, a unidade cristã não significa uniformidade, mas comunhão até mesmo com o que é contraditório. É por isso que a Palavra de Deus nos inquire: “Se o corpo todo fosse olho, onde estaria o ouvido? Se todo fosse ouvido, onde estaria o olfato? Mas agora Deus colocou os membros no corpo, cada um deles como quis.” (1 Co 12.17,18).

A Palavra de Deus nos orienta a buscarmos o aperfeiçoamento como Corpo de Cristo, através da compreensão e da efetiva realização da integração entre gerações distintas. A Igreja de Cristo é composta de várias gerações e, segundo o texto bíblico acima citado, isso é vontade e propósito de Deus para que aprendamos a conviver com as diferenças de forma integrada.

Parafraseando o texto bíblico, dizemos o seguinte: “Se todos os membros fossem idosos, onde estariam os jovens? E se todos os membros fossem jovens, onde estariam as crianças? Mas agora Deus colocou todas as gerações na Igreja, cada uma como quis.” É assim que a igreja funciona. São crianças, adolescentes, jovens, adultos e idosos expandindo o reino de Deus.

Se a Igreja é multifacetária, significa que nenhuma geração pode ter o monopólio do estilo e das formas, sob pena de reduzir o que Deus na verdade multiplicou. Em termos bem práticos, se jovens gostam de cânticos mais animados e o uso de instrumentos como guitarra e bateria nos cultos, a igreja deve ser acessível. De um lado a igreja deve patrocinar e proporcionar esse jeito mais jovem de louvar, e por outro deve ser sábia para não acabar por monopolizar esse jeito mais jovem de louvar, alijando assim os mais idosos.

Aprender a conviver e respeitar as diferenças entre as gerações é acatar a sabedoria divina, que pôs no Corpo todas as gerações, como quis; é caminhar em direção ao seu auto-aperfeiçoamento com respeito à diversidade do Corpo de Cristo; é favorecer a integração de todas as gerações no mesmo Corpo.

Lembre-se de que estamos nos preparando para a eternidade e lá não haverá “departamentos” para crianças, adolescentes, jovens, adultos e idosos. É um Senhor e um céu para todas as gerações.

Josué Mello Salgado
Pastor e Professor, DF


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terça-feira, 20 de dezembro de 2011

É Natal! Eu quero meu presente.

Qual o significado da palavra Natal? É provável que quase todos saibam. Nascimento. De quem? É certo que todos sabem. De Jesus. Tá bom, mas cadê o meu presente?
Incoerente a última pergunta ou uma realidade?

Pouco adianta saber o significado da palavra ou mesmo saber  quem é o homenageado se o que eu quero mesmo é o meu presente.

Não sou contra a festa ou contra os presentes. Tão pouco milito contra o capitalismo que envolve esta época do ano. Apenas não sei mais qual deveria ser o sentido do Natal.

Para mim o sentido do Natal é celebração, é presente, é reunião em família, é a comunhão da ceia. Mas tudo isso só porque Jesus, o filho de Deus, se fez homem e habitou entre nós.

Quem sabe se o nosso Natal fosse como o Dele. Numa estrebaria, num berço improvisado, rodeado de animais e com anjos anunciado aos homens mais humildes dos campos que Ele, o rei dos reis, havia nascido.


Quem sabe no Natal a celebração fosse como a vida do niversariante, humilde.

Quem sabe se, no Natal, os homens da cidade (como os de Belém) não perdessem a chance de receber Jesus em sua própria casa.

Onde será que fica a estrebaria mais próxima? Quero ir para lá para celebrar com Ele o seu aniversário.

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

O “cristianismo” da indiferença

Quando os Nazista vieram ...

Quando os nazistas vieram buscar os comunistas, eu permaneci em silêncio,
eu não era comunista.

Quando eles prenderam os sociais-democratas, eu permaneci em silêncio,
eu não era um social-democrata.

Depois, vieram buscar os sindicalistas, eu não protestei,
eu não era sindicalista.

Quando eles vieram até mim, não havia ninguém para protestar. (tradução livre)



Martin Niemöller: Pastor Luterano, prêmio Lênin da Paz e símbolo da resistência contra o Nazismo.


Quando eles acabaram ...

Quando eles acabaram com o mestrado, eu permaneci em silêncio,
eu não fazia mestrado.

Quando eles acabam com a pedagogia, eu permaneço em silêncio,
eu não faço pedagogia.

Depois, vão acabar com a música, não protestarei,
eu nem gosto de música.

Quando eles vierem até mim, não haverá mais ninguém para protestar.

terça-feira, 28 de junho de 2011

Heterofobia

O assunto não é novo, mas já está passando dos limites. Que não se pode discriminar isso é claro, mesmo assim há, sim, muita discriminação. Também há leis que protegem aqueles que são discriminados. Leis que, como tantas outras, não funcionam.
É por essas e outras que é importante garantir o direito dos homossexuais. Direitos da pessoa humana. Mas isso já está passando dos limites.

Ora, a PL 122 é inconstitucional, principalmente porque é também discriminatória. E, apesar de toda ortodoxia, não se pode garantir um direito removendo os outros (o Estado é laico). Mesmo porquê uma pessoa um pouco mais inteligente não faria tal redação deixando tantos pontos em aberto. Mas o que realmente incomoda é a imposição a que estamos sendo submetidos.

Quero reivindicar o meu direito individual como pessoa humana  de também se manifestar, direito de escolher e direito de expressar os valores nos quais acredito: o direito de ser hetero! Será que teremos que propor uma lei que nos garantam tal direito? Parece que sim.

Declarar-se hetero (muito diferente das agressões e ofensas que são proferidas aos homossexuais) é também um direito. O mesmo que eles têm e por isso o estão reivindicando. O que está acontecendo é uma violação de direitos. Do meu direito de ser o que sou; sem ser censurando ou acusado de discriminação; sem ser ridicularizado e chamado de homofóbico; sem ser agredido verbal e moralmente porque penso diferente.

Isso já passou muito do limite. O limite do direito. Como diria mamãe: “O meu direito termina onde começa o do outro”.  Isso vale para mim (o meu direito), mas vale para o outro também.  Porque o direito do outro também termina onde começa o meu.

sábado, 25 de junho de 2011

Ministros da Palavra sem palavra

Isso pode acontecer a qualquer um, prometer e não cumprir. Quantas vezes fazemos promessas movidos pela emoção? Quantas vezes o infortúnio nos surpreende e não honramos nossa palavra? Quantas simplesmente esquecemos o combinado? Espero que para três perguntas a resposta seja a mesma: Raramente.
É vergonhoso perceber o quanto cauterizamos nossa consciência a ponto de acharmos natural prometer e não cumprir. Parece que isso não traz nenhum incômodo as pessoas nestes tempos.
Não falo de mentir, algo igualmente comum atualmente, falo de honrar a palavra que se diz. Falo de Combinar e cumprir, falo de “ser alguém de palavra”.
Se alguém supõe tratar-se dos nossos políticos engana-se. Falo dos ministros da Palavra. Daqueles que tentam impor a Verdade revelada como Palavra de Deus, contudo, eles mesmos não têm palavra.
Se não, por que o discurso não corresponde à prática? Porque refirmam suas falas mesmo quando são revelados contraditórios? Se estivéssemos tratando de um deslize, o qual todos nós estamos sujeitos, por que eles insistem na mesma oratória? Por que não pedem desculpas?
Trata-se sim, de falta de palavra. Não digo mentira porque a isto pressuporia a intencionalidade de enganar. Falta de palavra aqui entenda-se como pressuposto de acreditar tudo que se faz é o melhor, o mais correto. Quando combina e não cumpre é porque teve um bom motivo (sempre têm). Bom? sob qual ponto de vista? Sob o ponto de vista de quem não honra sua palavra porque está sempre certo.

Isso é muito claro, por exemplo, no líder religioso em começo de carreira. Prega a Verdade e não negocia ou relativiza as coisas de Deus. Até aí tudo bem. Mas o problema é que este critica os outros que assim o fazem. Mas...
Tão logo assume uma posição confortável o discurso muda. Por quê? Porque esse está sempre certo, tanto quando condena como quando aprova.Sua palavra é dúbia, é efêmera e vazia. Hoje afirma com veemência amanhã nega do mesmo modo. E pior, não vê contradição nisso.
Ministros da Palavra, Palavra da Verdade, mas ministros sem palavra e sem verdade.

Se os valores de uma sociedade baseiam-se em fundamentos e nos guardiões destes fundamentos, para onde vão as religiões que acreditam em Ministros da Palavra sem palavra?

domingo, 24 de abril de 2011

Um modo “elegante” de ser mal educado

Realmente o mundo parece que anda a cada dia com mais pressa. O Tempo ou a falta deste é o tema do momento. No artigo “Remindo o tempo”, o pastor Carlos Elias nos lembra de sua importância. Neste contexto vemos nascer o sujeito “sem tempo” como nos mostra o artigo do pastor Joed Venturini, “O homem mais ocupado de todos os tempos”. Fato é que existem pessoas especialistas em nos roubar o pouco tempo que temos. E, é fácil reconhecê-los. São pessoas que quando nos vêm logo dizem “preciso falar com você”. Pessoas carentes que aproveitam do fato de você saber ouvir e ficam horas ao telefone dizendo absolutamente nada.

No século XXI estes tornam-se ainda mais eficazes. Fazem questão de ser seu amigo numa comunidade virtual e mandam inúmeros e-mails sem perguntar se você tem interesse naquele assunto.

Mas.

O mesmo homem sem tempo deste século desenvolveu uma forma “elegante” de evitar tais pessoas: O SILÊNCIO.

Se é verdade que muitos amigos são apenas virtuais, se muitos e-mails são descartáveis e, se um modo de não constranger essas pessoas é não alimentar essas “correntes” na Internet, também é verdade que muitos tornaram esta prática cada vez mais comum em nossos dias: o hábito de não responder e-mails. Falo dos e-mails sérios dos quais dependem decisões importantes. Quando estes obrigam a que se tome uma postura a desculpa é sempre a mesma: “ah! eu não vi seu e-mail”. Não falo de um esquecimento ou outro, inerentes da pessoa humana, falo de mensagens insistentes pedindo por orientação dada a gravidade do assunto em questão que são simplesmente relegadas ao “esquecimento”. Como é fácil esquivar-se dizendo que não leu, que não viu, que não sabia. Bem aos moldes dos nossos políticos que nunca leem, veem ou sabem de nada. Um modo covarde de se isentar da responsabilidade.

Aprendi recentemente com um pastor a respeito da pontualidade. Segundo ele “quando alguém chega atrasado (sistematicamente, é claro) está dizendo que o seu tempo é mais importante que o meu”. Parafraseando eu diria que quando alguém me manda e-mails, mas não responde os meus (aqueles importantes) está dizendo que seus e-mails são importantes, os meus não.

Segundo um amigo que morou nos EUA, não responder é uma forma elegante de dizer não. Chamo isso de uma forma “elegante” de ser mal educado.

O mundo virtual traz muitas vantagens, entre elas a comodidade de poder receber informações confortavelmente em casa sem precisar ir ao trabalho. Mas parece que para acabar com este tipo de esquiva será preciso voltar ao método antigo e marcar uma entrevista pessoal no escritório, isso se conseguir vencer a secretária, outro obstáculo bem mais antigo.

Termino com um trecho do livro “Essentials Of Management: An International Perspective” dos professores Harold Koontz e Heinz Weihrich, citando as características necessárias a um gestor. Para eles, a terceira característica mais importante são a Integridade e a Honestidade:

Integrity and Honesty: Managers must be morally sound and worthy of trust. Integrity in managers includes honesty in money matters, and in dealing with others, effort to keep superiors informed, adherence to the full truth, strength of character, and behavior in accordance with ethical standards. Many of these qualities, and others, have been cited by top executives of major companies. For example, Henry Ford II, former chairperson of Ford Motor Company, mentioned as appealing, qualities of honesty, candor, and openness”.

terça-feira, 29 de março de 2011

Advogo pelo desenvolvimento, não pela natureza

Diante de tantos discursos inflamados a favor da natureza venho aqui defender o desenvolvimento. Defender o progresso sempre, sustentável ou não.

Vejam que a senhora Razão está tentando manipular as provas porque sabe muito bem que não é ela quem muda as atitudes. Portanto, trazer à baila uma defesa da natureza por ela, a Razão, é uma grande farsa. A Razão não tem autoridade para isso. Perceba, a Razão sabe que fumar faz mal mesmo assim permite a destruição do homem onde mora. Também, ela, alimenta o corpo de modo igualmente destrutivo. Ora se não cuida da sua própria morada como pretende falar do planeta? Ela é a promotora de todas as guerras (porque todas as guerras têm sempre uma Razão). Como pode então falar em preservação da vida?

Também é falsa uma defesa da natureza por sua amiga, a Ciência. A senhora Ciência é ainda mais incoerente. Segundo seus próprios princípios os seres vivos sobrevivem por uma seleção natural. Portanto, se o golfinho morre por causa dos sacos plásticos jogados no oceano, o que eu tenho com isso? Se eles se extinguirem, se extinguiram e pronto: “é a seleção natural”. Ou eles somem ou evoluem segundo defende a própria Ciência. Mas, e o aquecimento global? me perguntam. Tudo bobagem! Todos sabem que a troca de calor no sistema fechado se transporta de um corpo para outro. Portanto, sendo o sol a única fonte geradora de calor não podemos aquecer coisa alguma além do que já temos. É simples, aquece-se aqui e resfria-se ali. Não existe aquecimento global segundo ela mesma, a própria Ciência assim nos diz. Afinal, por que ela testemunha a favor natureza?

Perdão. Permita-me que eu me apresente. Eu sou a Consciência humana. Sou eu quem está no comando do ser humano e não a Ciência ou a Razão, essas líderes fajutas. Eu só faço o que quero fazer. Eu quero mesmo é um jipão movido a diesel. Sim, o diesel polui mais que todos os outros combustíveis, mas e daí? O importante é que seja um carro grande e confortável para dirigir sozinho. Carona? Nem pensar, tá maluco!? Eu quero mobílias de mogno, não me interessa se vem da Amazônia desmatada. Já disse, o aquecimento global é balela. Ah, vocês precisam ver como ficou linda minha estante toda em madeira de lei. Luxuosa, linda, uma obra de arte!

Por isso afirmo: o que está acontecendo aqui é uma manipulação. A Razão e a Ciência estão tentando arrebanhar algumas Consciências incautas que pensam estar fazendo algo de bom, mas nem elas acreditam nisso. Pergunto a vocês falsas Consciências ecológicas. Vocês separam o lixo em suas casas para reciclagem? Vocês jogam o papel do doce no cesto de lixo? Vocês vão à padaria a pé? Vocês dão carona aos seus colegas? Vocês compram refrigerantes em embalagens de vidro ou de metal? Quem de vocês leva uma bolsa de tecido para o mercado? Quantas de vocês compram papel reciclado mesmo sendo mais caro? Então como podem testemunhar a favor da natureza? No fundo vocês são como eu. Querem conforto e bem estar. No fundo somos todas uma mesma Consciência.
Até entre as Consciências dos mais humildes somos assim, egoístas. Jogamos o sofá no córrego e quando vem enchente nos lamentamos, mas por pouco tempo porque logo depois jogamos a geladeira no mesmo córrego. Nenhuma de nós está realmente preocupada com a natureza, apenas fingimos. E a próxima geração? Que se lasquem! O que queremos mesmo é viver o hoje, o agora e é por isso que eu defendo o desenvolvimento.

Sei que o homem é livre para decidir. Ele pode ouvir a Razão, a Ciência ou as Consciências ecológicas, essas traidoras hipócritas, mas no fim tenho a certeza que serei a grande vencedora deste debate. Eu, a genuína Consciência humana porque sempre estive no comando e vou continuar por longos anos. E ainda que seja verdade que o planeta possa ser destruído vocês acham que eu realmente ligo? Olhem ao redor e me digam. Olhem para si e me digam se eu não falo a verdade!

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Uma história na floresta

Todos já sabiam, mas foram as Mulas que resolveram divulgar a notícia para toda a floresta. Até outras florestas, mais ao norte, souberam que, há muito tempo as corujas não recebiam sua ração como havia sido combinado. Segundo o informe, o presidente Lontra e sua equipe sabiam do fato, mas nada fizeram. Por isso, a notícia fazia menção de certa caneta para que fosse assinada a liberação da ração; um direito das corujas. Para piorar o quadro, as corujas decidiram parar suas atividades por um dia, o que só agravou o problema.

Diante disso presidente Lontra e secretário Guaxinim saíram de suas tocas e viajaram para a chamada Casa de Mulas de onde partiu a notícia. Até hoje não se sabe ao certo por que estavam tão bravos. – Acho que presidentes preferem Mont Blanc.

Logo na chegada, Guaxinim despejou: – Corujas, se não estão satisfeitas com a ração vão procurar outro poleiro! E continuou: E vocês, Mulas; vocês nunca serão Borde Collie, vocês são filhos do Lobo. E despejou mais uma vez: – E vocês, corujas, também são! – Não fosse esta uma estória de bichos diríamos: “que bicho mordeu ele?”.

A esta altura não se sabia o que afetava o secretário Guaxinim a ponto de chamar todo mundo de filhos do Lobo. Neste momento, estrategicamente, entra em cena o presidente Lontra. Escorregadio como sempre, ele falou, falou, falou e não disse nada. Mas afinal, por que deixaria o presidente seu palácio na capital da floresta para visitar as Mulas e as Corujas? Por que uma notícia dessas faria tanto barulho em toda a floresta?

Nos dias que se seguiram ficou claro. Não era a notícia em si o maior problema, o problema é que as Mulas falaram e a culpa recaiu, naturalmente, sobre a Casa de Mulas. Sim, porque quando o ensino era repetido pelos Papagaios, Mulas não falavam, mas agora que contrataram as Corujas, mais reflexivas, as Mulas começaram a pensar e claro, a falar.

Todos sabem que Mulas são antigas Ovelhas que receberam o chamado para Borde Collie indo estudar na Casa de Mulas. As Mulas são diferentes das Ovelhas enquanto carregam a carga pesada e trabalham de sol a sol. Mas são iguais às Ovelhas enquanto não falam ou reclamam.

Pobres Mulas faladeiras! Por corporativismo os Borde Collies se voltaram contra elas. Não importa a injustiça ou a verdade, o que importa é que foram acusadas de ferir a autoridade Collie.
Pobres Mulas faladeiras! Não entenderam o escrito sagrado do Antigo Texto, o AT, trazido por Noé, o pai de todos os bichos. Nele, as tolas Mulas leram uma história parecida com as sua dando conta que depois de apanhar três vezes a mula falou. Seria esta um de seus antepassados? Poderiam elas também falar? Conjecturavam as Mulas.

Pobres Mulas desinformadas! Se lessem o final da história saberiam a respostas. Se o dito é verdade ou não, se são castigadas injustamente ou não, se estão ajudando ou não, nada disso importa. O importante é que quando uma Mula fala ela é desacreditada e criticada. E mesmo que sua fala pareça causar algum efeito positivo, no final a arrogância Collie permanece e nada muda.

Moral da estória. Seja em histórias de gente ou estória de bichos, Mula falar é sempre sinal de rebeldia e não de obediência.

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