domingo, 10 de fevereiro de 2013

Por quê eu não as amei?

Elas vinham todas as noites, apresentavam-se da melhor forma possível e  eu não as amei.
Algumas com roupas sóbrias, a maioria com roupas mínimas e eu nãos as amei.

Como eu, elas tinham sonhos. Sonho de ser alguém, de vencer a pobreza ou o simples sonho de ser feliz. Mas, eu, eu não as amei.

O que mais procuravam era serem amadas, mas eu ... eu não ...

Encontravam o sustento nos prazeres e braços dos "amores" das ruas. E eu, por quê meu Deus!? por quê não as amei?

Eu as olhava com desprezo, desdém ou indiferença. Algumas até emprestei meus ouvidos, e era cada história, mas amar mesmo ... não, nunca.

Sim eu sabia: pedofilia, taras e assassinatos. Jovens com uma ilusão: o dinheiro fácil. Vi gente "sumir" e ninguém vir procurar, nem a mãe. Quanto a mim, repetia o slogan à minha consciência: Elas assumiram o risco da “profissão”. Vidas jogadas literalmente no lixo.

Se não julguei também não amei. Meu pecado é menor por isso?

Bem fez Jesus, não julgou a mulher que “pulou a cerca” e ainda lhe ofereceu um amor sem medidas, capaz de fazê-la sentir o quanto era amada. Amada de verdade com toda a força que só o amor pode ter. Um amor mais forte do que a morte.

Suas palavras foram tão simples quanto profundas, como profundo foi o seu olhar de compaixão (creio eu). Ela fitou a jovem condenada pelos homens e disse: 1) Mulher, onde estão aqueles teus acusadores? Ninguém te condenou? 2) Nem eu também te condeno; vai-te, e não peques mais. (João 8,10-11).

Ela se foi, livre, e não pecou mais. Não o fez porque era Jesus a dizer. Não pecou porque foi amada como nunca havia sido antes. Só ele, o amor, poderia dar novo sentido a sua vida. Mas, e quanto a mim?

... Elas vinham todas as noites. Apresentavam-se da melhor forma possível e eu não as amei.

sábado, 9 de fevereiro de 2013

Nunca gostei de “Mardi Gras”


Nem sempre fui cristão. Bebia, fumava e vivia como me parecia bom viver. Mas nunca gostei de Mardi Gras.

O carnaval teve origem na Grécia antiga (600 a.C.). Era uma festa com cultos de gratidão aos deuses pela fertilidade do solo e pela colheita. Na Idade Média (500 d.C.) foi incorporado ao calendário da igreja católica seguindo o calendário lunar.

O carnaval precede a Quaresma, 40 dias de privações e penitências, período marcado por jejuns (de carne, inclusive) e orações. Por isso a terça-feira ficou conhecida como "carne vale", “adeus à carne” em latim ou “Mardi Gras”, “Terça-feira gorda”  em francês, porque as pessoas se entupiam de comida (e de carne) antes da quarta-feira de cinzas, o primeiro dia da Quaresma.

O que a festa tornou-se  no Brasil está muito distante da origem religiosa da Grécia ou da Idade Média. Contudo, o termo “festa da carne”, como eu o conhecia até então, não te nenhuma referência o sentido original “adeus à carne”. A primeira, refere-se aos prazeres da carne, o que de fato a festa se tornou. A segunda, tem todo um significado religioso ligado à morte de Jesus Cristo e, por isso, a abstenção de comer carne como símbolo do corpo (a carne) e sangue de Jesus.

Nunca gostei de carnaval, mas, como cristão, eu deveria.

Não daquilo que a festa se tornou ao logo dos anos.

Não da glutonaria: comer carne até se empapuçar.

Não das festas aos deuses da fertilidade.

Deveria sim, celebrar a festa da fertilidade do solo, da vida, dos bens, do ar, da família e tudo mais que Deus nos dá generosamente. Deveria me alegrar “porque dele e por ele, e para ele, são todas as coisas” (Rm 11,36a). Deveria festejar o simples fato de existir “Porque nele vivemos, e nos movemos, e existimos” (At 17,28a).

Neste sentido, seria muito bom festejamos e nos alegramos por tudo que o Senhor é e nos tem dado, mas é impossível tal festa junto com o "nosso carnaval". O que eu não sei se nossos retiros espirituais estão tentando “proteger” os crentes das tentações do carnaval ou se de fato festejamos ao Senhor que é/está acima de todas as coisas. A mim, o termo “espiritual” parece mais com as penitências da Idade Média.

Se, por um lado nunca gostei “nosso carnaval” por outro, da ascese dos retiros espirituais também não gosto.

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