segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

O que é: falácia?

O termo aqui tratado está no sentido filosófico desenvolvido a partir de Aristóteles na forma de encadeamento de ideias, mais tarde chamado de silogismo. Portanto, estamos falando de: "Argumento capcioso que induz a erro". (Fonte: http://www.dicio.com.br/falacia) e "Sofisma ou engano que se faz com razões falsas ou mal deduzidas". (fonte: http://www.priberam.pt/dlpo/Default.aspx)

Na vida cotidiana elas nos rodeiam a maior parte do tempo e nem sempre é utilizada com má intenção. Mesmo assim a falácia induz ao erro porque, em última análise, os argumentos aparentam solidez. Essa "solidez" dos argumentos dá-nos a impressão de que a conclusão é verdadeira o que torna difícil perceber quando uma sentença é falaciosa e quando ela é verdadeira..

Algumas falácias clássicas:
“Todo mundo sabe ...”. Todo mundo quem? Se a resposta for incerta ou não existir, seja lá o que venha depois é falácia. Parece verdade, mas não é.
“O especialista X disse ...”. Especialista em que? Alguém leu ou ouviu o que ele disse? Os alicerces do especialista são os mesmos de quem está tentando fazer valer o seu próprio argumento? Cuidado! Pode parecer verdade, mas talvez não seja.
“No país X ...”. Qual a relação entre o país X e o nosso na questão proposta? Os cenários se repetem? Os aspectos culturais e socioeconômicos interferem na proposta? Então....

A falácia não é uma mentira em si mesma, mas tem a mesma função pois induz ao erro por causa das "razões falsas ou mal deduzidas". Mas não se engane; quem constrói a falácia (diferente de quem a repete) quase sempre sabe muito bem o que está fazendo.

Uma das falácias mais conhecidas da história está na Bíblia.
"Então a serpente disse à mulher: Certamente não morrereis. Porque Deus sabe que no dia em que dele comerdes se abrirão os vossos olhos, e sereis como Deus, sabendo o bem e o mal". (Gênesis 3,4.5)
A serpente começa pela conclusão (Certamente não morrereis) contrapondo a conclusão afirmada pela mulher do versículo anterior (Gênesis 3,3).

Depois engendrou argumentos verdadeiro para convencer de que sua conclusão era verdadeira (Porque Deus sabe que no dia em que dele comerdes se abrirão os vossos olhos, e sereis como Deus, sabendo o bem e o mal). Ora, estes eram os argumentos de Deus e não da serpente.

Qual foi o problema? Onde está a falácia? 
Deus não disse que os olhos não se abririam, não disse que não conheceriam o bem e o mal e, também não disse que não seriam como Ele. “Então disse o SENHOR Deus: Eis que o homem é como um de nós, sabendo o bem e o mal” (Gênesis 3,22a). Portanto, estes argumentos (abrir, conhece e ser) não tem nenhuma relação com a conclusão (morrer).

O que o Senhor disse foi: “ ... da árvore do conhecimento do bem e do mal, dela não comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás”. (Gn 2,17b). Ou na língua original “morrerás, morrerás”. O Senhor não deixou dúvidas quanto a sentença. Logo, a questão que estava vinculada ao morre era o comer e não abrir, conhece e ser. Ao serem perguntados o porquê fizeram tal coisa a mulher foi honesta ao dizer: “A serpente me enganou, e eu comi”. (Gênesis 3,13b).

Essa foi uma falácia muito bem elaborado com a clara intenção de levar ao erro. Cuidado! Falácias são sedutoras, mas nunca não são verdades.

domingo, 19 de fevereiro de 2012

O que é: dualismo?


Talvez não saiba do que se trata, mas 99% das pessoas pensa deste jeito. Você é uma exceção?

Dualismo: é uma concepção filosófica ou teológica do mundo baseada na presença de dois princípios ou duas substâncias ou duas realidades opostas e inconciliáveis, irredutíveis entre si e incapazes de uma síntese final ou de recíproca subordinação”. (Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Dualismo).

Não entendeu? É fácil. Se um está certo o outro OBRIGATORIAMENTE estará errado e vice-versa. De fato esta lógica é excelente para computadores (os número binários), é boa para estudos de ciências exatas e, é boa para questões de princípios essenciais: vida e morte, luz e trevas e assim por diante. Contudo, é horrível para situações da subjetividade humana.

A começar pelas coisas mais simples do cotidiano: Não torce por um time não significa que torcer pelo “arquirrival”. Aliás, quem inventou essa tolice (arquirrival)? Não gostar de um ritmo musical não é o mesmo que gostar de outro. Se você já estudou sobre lógica dirá que estou induzindo ao erro porque as premissas são falsas. Tá bom; é verdade. Então, vou trocar. Torcer por um time não significa odiar o outro ou amar um ritmo não significa detestar o outro: melhorou!?

Quando se trata de questões profundas da vida então, piora ainda mais: Quem concorda comigo é meu amigo, se não é meu inimigo. Conheci um homem que dizia: “Eu amo tanto minha esposa, não entendo por que ela não me obedece”.  Assim, vamos classificando as pessoas entre boas e más, certas e erradas, loucas e lúcidas, inteligentes e burras e por aí vai.


Pensando assim (sendo dualista) não é difícil entender as tantas guerras ao longo da história. Guerras por questões econômicas muitas vezes alicerçadas nas “questões religiosas”. Quem não crê como eu é pagão; se não diz o que eu digo é herege, se é negro não tem alma etc.Todos estes discursos pseudo religiosos (cristão neste caso) já foram usados no passado para cometer-se as mais incríveis barbáries em “nome de Deus”.

Por que os discursos funcionaram? Por que ninguém contestou com amor (ágape) de Paulo (1 Co 13) ou de João (3.16)? Por que as ideias mais estapafúrdias são aceitas de forma tão imediata, como matar em nome de Deus? A resposta é simples: Dualismo.

O modo mais fácil de convencer o neófito de que ele faz a coisa certa e de convencê-lo que é um herói é dizer que ele tem A razão (ou A verdade). Convencido de estar certo (de ser o dono da verdade) o incauto imediatamente e sem pestanejar irá pensar que tudo mais que for diferente estará irremediavelmente errado, é falso ou é mentiroso.

Como disse, tantos nas coisas simples quanto nas profundas pode ocorrer de existir apenas duas possibilidades. Contudo, dentro da subjetividade humana quase nunca o dualismo funciona sem causar grandes estragos.

Dois exemplos finais: “Quem não é comigo é contra mim; e quem comigo não ajunta, espalha” de Mateus 12.30 e “Jesus, porém, disse: Não lho proibais; porque ninguém há que faça milagre em meu nome e possa logo falar mal de mim. Porque quem não é contra nós, é por nós” de Marcos 9.39-40. Os dois textos parecem contraditórios, no entanto, o primeiro se refere a luz e a trevas (nunca se misturam), enquanto o segundo refere-se ao modo como os “não-apóstolos” falavam de Jesus. Só porque não viviam com Ele não significava que não poderiam anunciar o Seu reino.

E você, é dualista? Você concorda com o artigo?
Veja como é fácil saber. Não faz a menor diferença se concorda ou não. Se você não for dualista achará ARGUMENTOS para discordar ou para aceitar, tanto parcialmente quanto integralmente. Mas se for dualista dirá: é porque é ou, não é porque não é. Percebeu? Percebeu-se?

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Escrevo ...


Escrevo porque não sei fazê-lo
Escrevo para não esquecer
Escrevo para chorar menos
Escrevo para não “morrer”

Se não, posso perdê-Lo,
Vou esquecer, vou voltar

Nas lembranças eu não me perco
O escrito fica lá
E quando quero desistir
A letra me faz prosseguir

Quando escrevo sou livre
Faço com ternura ou com dor
As vezes nem sei por que faço
Apenas escrevo

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

A diferença está na dose


Existe uma pequena grande diferença entre o veneno e o a vacina. É a dose.

O veneno cumpre o seu papel destruidor enquanto a vacina cumpre o seu papel restaurador. Quanto mais intenso o veneno maiores são os danos causados. Alguns dos nossos sentimentos podem ser mais destruitivos que o mais terrível dos venenos porque destroem a nossa alma. O ódio é um exemplo. Willian Shakespeare disse que “Odiar alguém é como você beber o veneno e esperar que o outro morra”.

Assim como sentimentos ruins, os “bons” também podem levar a morte. “Há um caminho que parece direito ao homem, mas o seu fim são os caminhos da morte” (Provérbios 16.25). Por que aquilo que parece bom pode levar a morte? A pergunta retórica do profeta esclarece. “Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e perverso; quem o conhecerá?” (Jeremias 17.9).

Ora, se maus sentimentos nos levam a destruição e “bons” sentimentos também podem fazer o mesmo, então o que fazer?

Em primeiro lugar evite, desvie, apague e faça de todo o possível para não alimentar maus sentimentos, seja por alguém ou por você mesmo. Sentimentos ruins sempre são destrutivos.

Em segundo lugar, nem sempre os sentimentos bons levam a morte. Segundo o Apóstolo Paulo o amor (ágape) “é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não trata com leviandade, não se ensoberbece. Não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal; Não folga com a injustiça, mas folga com a verdade; Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta”.  (1 Coríntios 13.4-7).

Sentimento maravilhoso é o amor com o qual Deus também nos amou. O amor (ágape) de João 3.16. Contudo, tanto no versículo 6 da carta de Paulo quanto em outras passagens do Evangelho, tal amor não representa passividade. Ser pacífico é muito diferente de passivo. Todos os profetas de Deus, sem exceção, sofreram dores e perseguições por falarem a verdade ordenada pelo Senhor. Nem mesmo Jesus escapou.

Então o que fazer? Não podemos nos conformar (tomar a forma do mundo) tão pouco nos destruir com sentimentos ruins. O que fazer!?

Acontece que a vacina vem da mesma fonte que o veneno e assim como na medicina o tênue fio que separa o sentimento destrutivo do sentimento dolorido é a dose. A mesma dor fazia parte do sentimento do profeta Habacuque. “Por que razão me mostras a iniqüidade, e me fazes ver a opressão? Pois que a destruição e a violência estão diante de mim, havendo também quem suscite a contenda e o litígio” (Habacuque 1.3).

Por isso, não aceite ser moldado, testemunhe, denuncie e seja como o Mestre. Ele não fazia a menor questão de frequentar os palácios ou a roda de religiosos da época. Ele não estava interessado em ser popular ou em cargos políticos da denominação judaica (Fariseus, Saduceus etc.). Ele pagou o preço de ser fiel ao Pai e foi-lhe fiel até as últimas consequências. Só não exagere na dose. Ame! Porque, acima de tudo, o que Jesus levou as últimas consequências foi o amor e não os ressentimentos.

No momento mais difícil da sua vida suas palavras foram de bênçãos e não de maldição. “E dizia Jesus: Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem”. (Lucas 23.34).

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