quinta-feira, 21 de junho de 2012

Líder ou responsável?


Aquela turma era excelente. O ingresso por concurso já estabelecia um nível de alunos acima da média brasileira, mas aquela turma...

No segundo ano, o aluno mais maduro e estudioso foi eleito representante da turma dando início também a sua caminhada "política" na escola. Ele se aproximou do Grêmio Estudantil. Apesar do seu excelente caráter via-se obrigado a não ser tão frequente as aulas dado o seu real compromisso com seus representados.

Certa feita todos os estudantes se envolveram numa passeata. Eu, sempre apoie movimentos políticos legítimos e como os amava alertei-os para o perigo de tornarem-se massa de manobra, naquele caso específico. A decisão final, contudo, seria pessoal; sem transferências de responsabilidade. Cada um haveria de assumir o ônus e bônus da sua escolha. Assistir aula ou ir à passeata. E, claro, a turma se dividiu. Uns foram e outros ficaram.

Acontece que eu não poderia dar presença para os que foram. Se algo ruim acontecesse meu diário serviria de alibi para os ausentes e esse foi o ponto de discórdia. De uma hora para outra aquele jovem entrou na minha sala na aula seguinte para tomar satisfações. Segundo ele, eu teria que assinalar a presença daqueles que foram a passeata.

Ele sempre fora um bom garoto por isso, respondi que não poderia fazê-lo sob pena de constituir uma fraude, no mínimo moral. Na aula seguinte os que tinham ficado estavam chorosos porque o representante os acusava de traição. Pior, novamente ele retornou de forma arrogante me acusando e ameaçando falar com a direção da escola. Aí foi demais.

Disse-lhe: Você pode chamar quem quiser porque, agora, não só não vou marcar a presença como também vou descontar os pontos referentes à participação em classe. Diante da minha ênfase e do respeito mútuo que sempre tivemos o rapaz caiu em si. Visivelmente arrependido me pediu desculpas e num ato de grandeza me disse: Professor, não penalize meus colegas por causa do meu erro. Por favor, desconte somente os meus pontos.

Confesso que senti um nó na garganta ao ver aquele jovem rapaz tomar tão nobre atitude. Recomposto eu lhe disse: Sempre te admirei e respeitei, é claro que te perdoou. Também já fui jovem e nem sempre fui tão maduro quanto você foi hoje. Porém, quanto aos pontos eu não abro mão. Seus colegas são responsáveis pela escolha de seus líderes e você como líder precisa aprender que suas atitudes refletem-se nas deles.

Eu sabia que aqueles poucos décimos não os reprovariam. Eles eram excelentes alunos. O que fiz foi aproveitar o momento para ensinar que toda liderança precisa ser responsável. Responsável da parte dos líderes e responsável da parte de quem os elege.

Líder ou responsável? As duas coisas são igualmente importantes.

Ah sim, quanto a rapaz somos amigos até hoje.

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