terça-feira, 22 de janeiro de 2013

A "arte" de não ler


De nada adianta ir a Faculdade e não aprender. Daí?  De nada vale ir a Faculdade e não fazer escolhas (facultare).

1) Tem quem não aprende nada.

2) Tem quem só concorde repetindo burramente os seus professores.

3) Tem quem discorde. Ainda que no início da estrada, este está nela e caminhando.

Se na academia usa-se a razão, então vale para ela a mesma regra de leitura de qualquer livro onde se possa aprender algo.

“É preciso separa preconceito e julgamento [...] Partindo da posição madura de discordar [...] você acha possível demonstrar que o autor está equivocado em algum ponto, então será preciso conduzir a controvérsia segundo três condições: 1) verifique se suas razões não são na verdade emoções que, de algum modo estão presentes, ainda que inconscientemente numa espécie de disputa e não baseadas puramente em argumentos. 2) verifique se seus pressupostos não estão contaminados de preconceitos. ‘A boa controvérsia não deverá ser uma disputa em torno de pressuposições’ (p. 152). 3) busque a imparcialidade. Não existe controvérsia sem partidarismo, mas busque o equilibro de 'ao menos tentar colocar-se no ponto de vista do outro' (p. 153). Para se discordar de modo civilizado será preciso, pelo menos ler o livro com simpatia.”

Resenha da Arte de Ler: por Leonardo Martins.

O mesmo vale para qualquer juízo do outro. É preciso olhar com simpatia para o que ele diz/escreve ou então voltamos às contradições epistemológicas.

Resumindo: quando o comentário "politicamente científico" está cheio de adjetivos, não é científico não. Vide item 1 da resenha.

Talvez você diga: - Faltou a opção “tem quem concorde com os professores”. Neste caso você não leu o texto. Essa é a minha tese.

O termo “só” está intimamente ligado ao termo “burramente” (1). Por outro lado, em “tem quem discorde” não existe termo “só” (2). Seria outra tolice. Logo, este item está intimamente ligado o trecho da resenha “você acha possível demonstrar que o autor está equivocado em algum ponto”, mas talvez você não tenha lido nada disso.

A conclusão é portanto brilhante. “Para se discordar de modo civilizado será preciso, pelo menos ler o livro com simpatia.” Diria eu: para discordar de alguém de modo civilizado será preciso “ler” o outro com simpatia.

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Sobre a fé a ciência: Divagações

O poder corrompe o coração de quase todo homem (disse quase). É algo muito forte e sedutor.  Aos poucos ele vai se entregando de modo sutil e quase imperceptível (disse quase de novo).
(Leonardo Martins)


A ciência perguntou ao cristianismo. – Diante da tragédia humana onde está o seu deus e a sua compaixão? O cristianismo respondeu. – No mesmo lugar onde encontra-se a sua ética e sua justiça social, no coração do homem.
(Leonardo Martins)


Contar para uma criança que a Vovó saiu viva da barriga do Lobo pode. Que Jonas saiu vivo da barriga do peixe não pode. Ah! entendi ...

Que o Lobo Mau falou com a Chapeuzinho e a Vovó pode. Que a jumenta falou com Balaão não pode. Sei ...

Dizer que papai Noel entra pela chaminé (que nem temos) pode. Dizer que Jesus pode entrar no coração não pode. Tá bom ...

O adulto religioso continua contando suas histórias sub o prisma da fé, do dogma, da tradição e do que mais se queira acrescentar. Sob qual prisma continua contando suas histórias o adulto racional?
(Leonardo Martins)


Deixarei de ser religioso no dia em que a ciência demonstrar empiricamente ser capaz de formar uma sociedade eticamente correta e justa entre todos os povos sob/sobre um único prisma: o da razão.
(Leonardo Martins)



Para o (unicamente) racional o mal é culpa de Deus, o bem é mérito do homem.
Para o (unicamente) teológico o mal é culpa do homem, o bem é mérito de Deus.
Para ambos:
1. O mal existe
2. O bem é desejável
3. O bem (desejável) está ligado a seu mameira de pensar (racional/teológico).
4. Portanto, o mal só pode vir de “o outro” lugar. (Deus/homem).
Curiosamente o primeiro nega Deus e o segundo “nega” o homem.
Dupla aporia!?
(Leonardo Martins)


Difícil não é se tronar um grande líder, difícil é não se tornar, também, um grande déspota.
(Leonardo Martins)



1. Tem quem fale contra Deus sem saber o porquê.
2. Tem quem fale contra sabendo.
3. Tem quem fale a favor sem saber o porquê.
4. Tem que fale a favor sabendo.
5. “E, chamando-os, disseram-lhes que absolutamente não falassem, nem ensinassem, no nome de Jesus. Respondendo, porém, Pedro e João, lhes disseram: Julgai vós se é justo, diante de Deus, ouvir-vos antes a vós do que a Deus; Porque não podemos deixar de falar do que temos visto e ouvido”. (Atos 4,18-20)
6. Não posso deixar de falar daquilo que Ele faz na minha vida. Se falo é porque tenho experimentado.
7. Não há exclusividade nisso. QUALQUER UM pode experimentar também.
8. Se quiser.
(Leonardo Martins)

Um coisa boa sobre a fé está no fato dela não ser lógica. Se fosse, não haveria nenhum sentido em ser assim chamada. Chamar-se-ia fato, prova ou certeza.
(Leonardo Martins)



Viver a vida do modo que se deseja (lei do mais forte, sem nenhuma ética, sem regras, sem parâmetros) visto que tudo termina aqui. Isso é racional.
Viver uma vida “santa” porque se crê na vida após a morte. Isso não é.
A morte é natural (tudo morre). Isso é racional.
Estudar um modo de abreviá-la /superá-la. Isso não é.
Quem crê noutra vida é irracional. Quem estuda um modo de abreviar/superar a morte é o que?
(Leonardo Martins)


Meu problema não é aquilo que os homens fazem em nome dos seus deuses. Mas o que fazem em nome dos seus próprios egos. Uns dizem que Deus mandou outros que é a ciência quem diz.
(Leonardo Martins)



Difícil não é acreditar em Deus, é acreditar nos homens.
(Leonardo Martins)


No dia que a ciência descobrir como vencer a morte os genocidas serão considerados heróis.
(Leonardo Martins).


Estou cansado. Cansado dos conselhos, dicas e máximas de pessoas que sequer pretendem mudar de comportamento. Se quiser me convencer de alguma coisa, viva o que diz e fique em silêncio. Ele, o silêncio, dirá muito mais que o discurso.
(Leonardo Martins)



Meu problema não é aquilo que os homens fazem em nome dos seus deuses. Mas o que fazem em nome dos seus próprios egos. Uns dizem que Deus mandou outros que é a ciência quem diz.
(Leonardo Martins).


Deus deu ao homem o direito de transgredir. Disse, não faça e ele fez. Não é assustador? Não importa quem seja ou qual o argumento usado eu escolho se digo sim ou não. Eu, o sujeito que escolhe que transgride.
(Leonardo Martins)


Não creia na liberdade de escolha de quem não aceita que você discorde das suas ideias.
(Leonardo Martins)


Falando sobre o texto de João 9 (a cura do cego de nascença) no domingo disse "Tem gente que mesmo diante da maior das evidências se recusa a acreditar. Quem era o cego afinal?". Achei que era uma história do passado, mas eu estava errado, infelizmente.
(Leonardo Martins)

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