O que é: falácia?

O termo aqui tratado está no sentido filosófico desenvolvido a partir de Aristóteles na forma de encadeamento de ideias, mais tarde chamado de silogismo. Portanto, estamos falando de: "Argumento capcioso que induz a erro". (Fonte: http://www.dicio.com.br/falacia) e "Sofisma ou engano que se faz com razões falsas ou mal deduzidas". (fonte: http://www.priberam.pt/dlpo/Default.aspx)

Na vida cotidiana elas nos rodeiam a maior parte do tempo e nem sempre é utilizada com má intenção. Mesmo assim a falácia induz ao erro porque, em última análise, os argumentos aparentam solidez. Essa "solidez" dos argumentos dá-nos a impressão de que a conclusão é verdadeira o que torna difícil perceber quando uma sentença é falaciosa e quando ela é verdadeira..

Algumas falácias clássicas:
“Todo mundo sabe ...”. Todo mundo quem? Se a resposta for incerta ou não existir, seja lá o que venha depois é falácia. Parece verdade, mas não é.
“O especialista X disse ...”. Especialista em que? Alguém leu ou ouviu o que ele disse? Os alicerces do especialista são os mesmos de quem está tentando fazer valer o seu próprio argumento? Cuidado! Pode parecer verdade, mas talvez não seja.
“No país X ...”. Qual a relação entre o país X e o nosso na questão proposta? Os cenários se repetem? Os aspectos culturais e socioeconômicos interferem na proposta? Então....

A falácia não é uma mentira em si mesma, mas tem a mesma função pois induz ao erro por causa das "razões falsas ou mal deduzidas". Mas não se engane; quem constrói a falácia (diferente de quem a repete) quase sempre sabe muito bem o que está fazendo.

Uma das falácias mais conhecidas da história está na Bíblia.
"Então a serpente disse à mulher: Certamente não morrereis. Porque Deus sabe que no dia em que dele comerdes se abrirão os vossos olhos, e sereis como Deus, sabendo o bem e o mal". (Gênesis 3,4.5)
A serpente começa pela conclusão (Certamente não morrereis) contrapondo a conclusão afirmada pela mulher do versículo anterior (Gênesis 3,3).

Depois engendrou argumentos verdadeiro para convencer de que sua conclusão era verdadeira (Porque Deus sabe que no dia em que dele comerdes se abrirão os vossos olhos, e sereis como Deus, sabendo o bem e o mal). Ora, estes eram os argumentos de Deus e não da serpente.

Qual foi o problema? Onde está a falácia? 
Deus não disse que os olhos não se abririam, não disse que não conheceriam o bem e o mal e, também não disse que não seriam como Ele. “Então disse o SENHOR Deus: Eis que o homem é como um de nós, sabendo o bem e o mal” (Gênesis 3,22a). Portanto, estes argumentos (abrir, conhece e ser) não tem nenhuma relação com a conclusão (morrer).

O que o Senhor disse foi: “ ... da árvore do conhecimento do bem e do mal, dela não comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás”. (Gn 2,17b). Ou na língua original “morrerás, morrerás”. O Senhor não deixou dúvidas quanto a sentença. Logo, a questão que estava vinculada ao morre era o comer e não abrir, conhece e ser. Ao serem perguntados o porquê fizeram tal coisa a mulher foi honesta ao dizer: “A serpente me enganou, e eu comi”. (Gênesis 3,13b).

Essa foi uma falácia muito bem elaborado com a clara intenção de levar ao erro. Cuidado! Falácias são sedutoras, mas nunca não são verdades.

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