O que é: dualismo?


Talvez não saiba do que se trata, mas 99% das pessoas pensa deste jeito. Você é uma exceção?

Dualismo: é uma concepção filosófica ou teológica do mundo baseada na presença de dois princípios ou duas substâncias ou duas realidades opostas e inconciliáveis, irredutíveis entre si e incapazes de uma síntese final ou de recíproca subordinação”. (Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Dualismo).

Não entendeu? É fácil. Se um está certo o outro OBRIGATORIAMENTE estará errado e vice-versa. De fato esta lógica é excelente para computadores (os número binários), é boa para estudos de ciências exatas e, é boa para questões de princípios essenciais: vida e morte, luz e trevas e assim por diante. Contudo, é horrível para situações da subjetividade humana.

A começar pelas coisas mais simples do cotidiano: Não torce por um time não significa que torcer pelo “arquirrival”. Aliás, quem inventou essa tolice (arquirrival)? Não gostar de um ritmo musical não é o mesmo que gostar de outro. Se você já estudou sobre lógica dirá que estou induzindo ao erro porque as premissas são falsas. Tá bom; é verdade. Então, vou trocar. Torcer por um time não significa odiar o outro ou amar um ritmo não significa detestar o outro: melhorou!?

Quando se trata de questões profundas da vida então, piora ainda mais: Quem concorda comigo é meu amigo, se não é meu inimigo. Conheci um homem que dizia: “Eu amo tanto minha esposa, não entendo por que ela não me obedece”.  Assim, vamos classificando as pessoas entre boas e más, certas e erradas, loucas e lúcidas, inteligentes e burras e por aí vai.


Pensando assim (sendo dualista) não é difícil entender as tantas guerras ao longo da história. Guerras por questões econômicas muitas vezes alicerçadas nas “questões religiosas”. Quem não crê como eu é pagão; se não diz o que eu digo é herege, se é negro não tem alma etc.Todos estes discursos pseudo religiosos (cristão neste caso) já foram usados no passado para cometer-se as mais incríveis barbáries em “nome de Deus”.

Por que os discursos funcionaram? Por que ninguém contestou com amor (ágape) de Paulo (1 Co 13) ou de João (3.16)? Por que as ideias mais estapafúrdias são aceitas de forma tão imediata, como matar em nome de Deus? A resposta é simples: Dualismo.

O modo mais fácil de convencer o neófito de que ele faz a coisa certa e de convencê-lo que é um herói é dizer que ele tem A razão (ou A verdade). Convencido de estar certo (de ser o dono da verdade) o incauto imediatamente e sem pestanejar irá pensar que tudo mais que for diferente estará irremediavelmente errado, é falso ou é mentiroso.

Como disse, tantos nas coisas simples quanto nas profundas pode ocorrer de existir apenas duas possibilidades. Contudo, dentro da subjetividade humana quase nunca o dualismo funciona sem causar grandes estragos.

Dois exemplos finais: “Quem não é comigo é contra mim; e quem comigo não ajunta, espalha” de Mateus 12.30 e “Jesus, porém, disse: Não lho proibais; porque ninguém há que faça milagre em meu nome e possa logo falar mal de mim. Porque quem não é contra nós, é por nós” de Marcos 9.39-40. Os dois textos parecem contraditórios, no entanto, o primeiro se refere a luz e a trevas (nunca se misturam), enquanto o segundo refere-se ao modo como os “não-apóstolos” falavam de Jesus. Só porque não viviam com Ele não significava que não poderiam anunciar o Seu reino.

E você, é dualista? Você concorda com o artigo?
Veja como é fácil saber. Não faz a menor diferença se concorda ou não. Se você não for dualista achará ARGUMENTOS para discordar ou para aceitar, tanto parcialmente quanto integralmente. Mas se for dualista dirá: é porque é ou, não é porque não é. Percebeu? Percebeu-se?

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